<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[tu não te moves de ti]]></title><description><![CDATA[psicanálise, cultura, cotidiano e o que eu faço com as palavras. ]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!VDXr!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F28c6a4d3-0b35-4198-a3d0-63e755556a74_1280x1280.png</url><title>tu não te moves de ti</title><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 05 Jun 2026 12:50:58 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[joseanderson]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[joseandersonof@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[joseandersonof@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[José Anderson]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[José Anderson]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[joseandersonof@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[joseandersonof@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[José Anderson]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Por que tantos livros?]]></title><description><![CDATA[Um recorte da minha an&#225;lise: "...o que antes era o que me marcaria como completo quanto mais eu os tivesse, hoje &#233; uma marca do tanto que me falta quanto mais os tenho."]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/por-que-tantos-livros</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/por-que-tantos-livros</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Wed, 22 Apr 2026 15:28:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!G6ZF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff9b41f4f-7d9e-4df5-a79a-cffd2ac514ea_1456x2151.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Juro perante Deus e a todos presentes que cuidarei bem dos livros e ampliarei meus conhecimentos adquiridos, sendo &#250;til a nossa P&#225;tria.&#8221; Foi o que eu disse como orador da minha turma da alfabetiza&#231;&#227;o no dia da nossa formatura. A declama&#231;&#227;o era maior, mas n&#227;o me recordo do restante, foi isso que retive comigo daquele dia diante de todos e, especificamente, diante do olhar lustroso em l&#225;grimas da minha m&#227;e. Nossa, isso diz tanto sobre mim. O fundamento de um mito. N&#227;o &#224; toa guardo comigo at&#233; hoje. Eu tinha seis anos na &#233;poca, sei disso porque depois da cerim&#244;nia e dos comes e bebes &#8212; formal e obviamente chatos para toda crian&#231;a, visto que n&#227;o s&#227;o feitos para elas &#8212;, houve uma grande festa. A grande festa nos moldes interioranos, na qual a casa transforma-se num palco, h&#225; decora&#231;&#245;es de papel crepom, bal&#245;es, painel de isopor; m&#250;sica alta, portas abertas, comida e bebida &#224; vontade e muito barulho de crian&#231;as. Era a comemora&#231;&#227;o por minha formatura, mas tamb&#233;m por meu anivers&#225;rio e, hoje tamb&#233;m incluo, a comemora&#231;&#227;o por estarmos na nova casa da fam&#237;lia, hav&#237;amos nos mudado naquele mesmo ano, t&#237;nhamos apenas alguns meses naquela casa. Tenho para mim que o arranjo das festas de fam&#237;lias pobres s&#227;o melhores que as de fam&#237;lias ricas porque a priva&#231;&#227;o de realizar muitas festas ao longo do ano, as obriga a escolher uma data estrat&#233;gica que possam fazer uma &#250;nica festa para comemorar tudo conjuntamente. Da&#237; venha para mim, talvez, a sensa&#231;&#227;o de que a felicidade s&#243; pode ser algo coletivo, um todo do qual muitos motivos para se comemorar s&#227;o partes.</p><p>Somado a esse causo do meu juramento diante de Deus e de todos, h&#225; uma outra lembran&#231;a. Est&#225;vamos reorganizando alguns pap&#233;is e objetos guardados em um anexo de uma estante velha da casa, era como se fosse uma esp&#233;cie de ba&#250; suspenso naquele m&#243;vel j&#225; t&#227;o antiquado &#224;queles dias. Ir&#237;amos troc&#225;-lo por outro. Durante a retirada e inspe&#231;&#227;o de cada item para decidir se seria jogado fora ou realocado para se guardar novamente e deix&#225;-lo ali inutiliz&#225;vel at&#233; que chegue o tempo arbitr&#225;rio de que eles tamb&#233;m devam ser jogados fora &#8212; ou seja, a pr&#243;xima reorganiza&#231;&#227;o &#8212;, encontro um livro, de p&#225;ginas amareladas pelo tempo, muito empoeirado e com acentuados desgastes na capa, no entanto, conservado o bastante para se conseguir ler perfeitamente se folheado com cuidado para que as folhas n&#227;o se soltassem devido o enrijecimento da cola e apodrecimento das linhas que o costurava. Era um exemplar de &#8220;O m&#225;gico de Oz&#8221;, o primeiro da s&#233;rie. Perguntei a minha tia de quem era, ao que ela me respondeu &#8220;Eu acho que &#233; da tua m&#227;e&#8221;. Guardei comigo. Depois quis saber com minha m&#227;e se de fato lhe pertencia e se ela j&#225; o tinha lido. Ela me contou a hist&#243;ria daquele livro, n&#227;o seu enredo, mas como ele tinha chegado a ela e como nunca pudera-o ler. Minha m&#227;e n&#227;o finalizou o ensino m&#233;dio, interrompeu os estudos devido &#224; gravidez de mim. Ap&#243;s aquele afastamento da escola, um rec&#233;m nascido e um abandono daquele que deveria ser seu companheiro e tornar-se meu pai, n&#227;o pode mais retornar aos estudos, precisou trabalhar. Ainda tinha 18/19 anos e come&#231;ou a trabalhar como empregada dom&#233;stica na casa de alguma fam&#237;lia, talvez daqui de Recife. Um destino cl&#225;ssico de muitas outras mulheres que partilhavam hist&#243;rias parecidas. Neste primeiro emprego foi onde recebeu esse livro de algu&#233;m que era seu patr&#227;o. Um ato que me irritou muito por tempos, mas que hoje me comove at&#233;. Nunca pudera-o ler porque n&#227;o se tinha mais tempo, n&#227;o se tinha mais cabe&#231;a para as palavras, precisava viajar, varrer, lavar, passar, cozinhar, passear com o c&#227;o (talvez), cuidar do filho de outra pessoa para sustentar o pr&#243;prio do qual ela fora alijada do cuidar. Por isso, me irritava demais essa hist&#243;ria do livro. Como algu&#233;m presentea sua empregada com aquilo que ela jamais ter&#225; condi&#231;&#245;es de usufruir? A princ&#237;pio, tomei aquele livro como uma ofensa &#224; condi&#231;&#227;o da minha m&#227;e, algo como uma certa marca de sua impot&#234;ncia diante daqueles que tinham tempo de sobra e queriam humilh&#225;-la, queriam que ela sempre lembrasse do que lhe seria imposs&#237;vel. Eu, a crian&#231;a, fiz o que todas fazem sobre o desejo de seus cuidadores, supus, portanto, ter encontrado a resposta daquela inc&#243;gnita: o livro!</p><p>Remonto &#8212; retroativamente, porque &#233; s&#243; assim que significamos o passado &#8212;, as quest&#245;es que talvez tivera feito: &#8220;Guardara-o na esperan&#231;a de poder ler algum dia? Era ler o que ela desejava?&#8221; E para me engendrar nessa trama, recapitei a mim mesmo: Parou de estudar por mim; trabalhou para me sustentar, logo, n&#227;o tinha tempo por minha causa. Posso mostrar um silogismo desses termos para verificarmos a l&#243;gica dessas proposi&#231;&#245;es: &#8220;Nenhuma pessoa que trabalha tem tempo para ler; Minha m&#227;e &#233; uma pessoa que trabalha; Logo, minha m&#227;e n&#227;o tem tempo para ler.&#8221; E eu sou o culpado. O meu dever estava claro: eu iria fazer valer a pena seu tempo perdido. &#8212; &#8220;Por tudo o que precisou abrir m&#227;o por mim, serei o que faltou a voc&#234; m&#227;e&#8221;. Eu li aquele livro e lhe contei o enredo naquele mesmo final de semana. N&#227;o foi o suficiente, por&#233;m. Ao fim daquela tarefa, me senti incomodado, percebi que se eu li t&#227;o r&#225;pido aquele livro, em t&#227;o pouco tempo, n&#227;o fora apenas aquele que ela n&#227;o pudera ler, ele era apenas a pista, o rastro de muitos outros que nem chegou a ter. Ent&#227;o eu precisava ler mais, estudar mais, saber o que ela n&#227;o pode saber. Com o tempo descobri que s&#243; dava para ser o que faltou &#224; ela, tendo o que teria lhe faltado: estudos, livros, leituras, saberes. &#201; ao mesmo tempo cruel e gratificante nossa aliena&#231;&#227;o ao suposto desejo do outro. Uma crian&#231;a se colocar no lugar de culpado por uma contig&#234;ncia da vida muito mais produto de um recorte de classe e g&#234;nero, &#233; uma baita carga para se carregar. Entretanto, h&#225; de se reconhecer o lugar de prest&#237;gio que se pode supor a si mesmo como causa da desgra&#231;a do outro &#8212; &#8220;foi por MIM que isso tudo aconteceu&#8221;. &#201; an&#225;logo ao que os crist&#227;os fazem com Deus, designam a uma divindade a necessidade de um sacrif&#237;cio, de seu pr&#243;prio filho, em favor da humanidade e, &#243;bvio, a humanidade s&#227;o eles. &#201; uma presun&#231;&#227;o narc&#237;sica do caralho! Contudo precisamos do narcisismo, est&#227;o perdoados. &#201; claro que isso n&#227;o vai se sustentar &#8212; refiro-me a minha presun&#231;&#227;o narc&#237;sica, porque a dos crist&#227;os, essa, parece infinita. Mais tarde, j&#225; em an&#225;lise e querendo confirmar minhas teses sobre meu sofrimento, aos menos esse aspecto dele, numa conversa minha m&#227;e me disse que nem lembrava mais daquele livro, que nem sabia mais se algum dia quis l&#234;-lo e que seria muito prov&#225;vel que s&#243; tinha aceito por educa&#231;&#227;o j&#225; sabendo que nunca iria abr&#237;-lo. Eis o engodo da suposi&#231;&#227;o f&#225;lica: &#233; preciso que se suponha a falta de algo ao desejo do outro para que possamos crer nos poder oferecer como objetos que completar&#225; a falta do outro, nossa oferta &#233; nossa falicidade e desgra&#231;a, como toda ilus&#227;o.</p><p>Eu j&#225; n&#227;o sei se primeiro foi a formatura e depois o achado do livro ou o contr&#225;rio. Quando tento remontar a cronologia consigo justificar as duas possibilidades temporais, de modo que n&#227;o importa, aqui tamb&#233;m serve o princ&#237;pio da multiplica&#231;&#227;o: a ordem dos fatores n&#227;o altera o produto. Bom, dito isso, acho que isso responde em parte o porqu&#234; de tantos livros. Porque faz parte do meu sintoma. Porque faz parte da minha fantasia. Porque faz parte do meu desejo. Porque faz parte de um gozo absoluto jamais alcan&#231;ado. Entretanto n&#227;o s&#243;. Eu realmente amo ler, me encantam as palavras, a beleza torrencial da poesia, o deleite ao t&#233;rmino de um romance que fisga desde a primeira linha, a pot&#234;ncia her&#243;ica de terminar um livro dific&#237;limo em sua forma como &#8220;O som e a f&#250;ria&#8221; de William Faulkner, ou um calhama&#231;o russo que &#233; um verdadeiro tratado sobre a condi&#231;&#227;o humana e sua degrada&#231;&#227;o moral e implac&#225;vel corros&#227;o psicol&#243;gica como &#8220;Crime e castigo&#8221; de Fi&#243;dor Dostoi&#233;vski, aprender o verdadeiro sarcasmo com Machado de Assis e sua cr&#237;tica afiada aos costumes burgueses t&#227;o mesquinos, ser abruptamente estarrecido pela disrup&#231;&#227;o de Hilda Hilst. Dessa aliena&#231;&#227;o ao suposto desejo do outro, criei o meu, esse &#233; o saldo negativamente positivo dessa negatividade ontol&#243;gica. Desse emaranhado sai esse desejo incontrol&#225;vel de escrever. Talvez da constata&#231;&#227;o de que minha leitura de nenhum livro escrito por algum escritor j&#225; conhecido seria o bastante para completar a suposta falta da minha m&#227;e, construi um novo dever: me tornar escritor para escrever o livro que minha m&#227;e jamais leu. O que &#233; uma bobagem. Por&#233;m, na an&#225;lise, a gente aprende a se autoenganar sem sofrer. &#201; uma del&#237;cia. Hoje, no entanto, vejo diferente. Se eu realmente cresse ser esse &#8220;meu novo dever&#8221;, eu s&#243; teria dado mais uma volta na demanda e estaria ainda fixado nesse inferno obsessivo da covardia diante do pr&#243;prio desejo. Al&#233;m de ser nada inovador. Explico: designar ao outro um desejo que &#233; meu, &#233; uma estrat&#233;gia bem ultrapassada para denunciar uma falta no outro e n&#227;o em mim. Se eu fosse escrever um livro s&#243; porque a minha m&#227;e nunca o tivera lido, eu estaria realocando a falta em quem? &#201; como se eu dissesse algo do tipo &#8220;Eu s&#243; vou escrever por causa dela&#8221;. Se eu viesse a fracassar, eu a culparia numa facilidade igual a respirar. Em contrapartida, n&#227;o fora o caso. &#8220;Eu quero escrever porque h&#225; algo que eu n&#227;o consigo dizer quando falo e quero dizer mesmo assim, quero que ou&#231;am cada s&#237;laba dessa coisa impronunci&#225;vel, quero que meu desejo as desconcertem, eu quero ser lido, jamais decifrado, por&#233;m.&#8221;, &#8220;Um castelo suntuoso, n&#227;o?&#8221;, disse meu analista. Se foi proposital ou n&#227;o, eu n&#227;o quis saber, no momento lembrei de uma m&#250;sica que tanto amo, &#8220;Se eu quiser falar com Deus&#8221; de Gilberto Gil, cantada a capela por Elis Regina <em><strong><a href="https://youtu.be/tWuQc7W0O-A?si=fj50PLB8cvOOE4R-">(ESCUTEM!)</a> </strong></em>A ele eu disse alterando sutilmente a letra da &#250;ltima frase &#8220;Estou disposto a caminhar nessa estrada que pode dar em nada&#8221;. Escrevendo agora, sorrio dessa presun&#231;&#227;o narc&#237;sica do caralho!</p><p>Claro, t&#244; resumindo aqui muita coisa em um quadro muito limpo, todavia que &#233; mais complexo que isso; no entanto, s&#227;o essas as cenas, delas caminhei por outras veredas. Com mais alguns giros, cortes e, portanto, mais alguns retalhos, eu consegui costurar um novo manto sobre os estudos, livros, leituras e o saber, o que antes era o que me marcaria como completo quanto mais eu os tivesse, hoje &#233; uma marca do tanto que me falta quanto mais os tenho. Tenho muitos livros: esses das minhas estantes e espalhados pela casa, aqueles que ainda apenas os desejo, pois creio que esses tamb&#233;m j&#225; s&#227;o meus, assim como aqueles que ainda n&#227;o os conhe&#231;o e quero descobr&#237;-los um dia. Sobretudo aquele que gesto e anseio parir. De todos esses, acumulo mais n&#227;o lidos que lidos, mais estudos ainda n&#227;o feitos, mais saberes ainda n&#227;o apreendidos. Mostro minhas estantes com orgulho para jamais esquecer do tanto que ainda n&#227;o sei, do tanto que me falta mais do que tenho.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler tu n&#227;o te moves de ti! 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O vale sentimental de uma ausência que se ausenta]]></title><description><![CDATA[&#201; lindo, &#233; delicadamente destruidor. Alguns momentos pausei para chorar.]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/o-vale-sentimental-de-uma-ausencia</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/o-vale-sentimental-de-uma-ausencia</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Sat, 28 Feb 2026 13:16:18 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Bbtz!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F606b93c7-0dca-41f9-be7c-1cddff3632a4_736x414.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Semana passada, assisti &#8220;Valor sentimental&#8221;<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a> dirigido pelo cineasta noruegu&#234;s Joachim Trier. Esperei esses dias at&#233;, enfim, escrever alguma coisa sobre esse filme. N&#227;o porque pensei, a priori, fazer uma an&#225;lise psicanal&#237;tica minuciosa sobre as personagens, por um receio, por&#233;m &#8212; por medo de me expor demais &#8212;, de me ocupar dessas palavras com a covardia dos que se abrigam na genericidade que nada diz efetivamente e acabasse por n&#227;o escrever algo &#224; altura do que esse longa me fez sentir e, sobretudo, &#224; altura do que ele me fez rememorar acerca de algo t&#227;o dificilmente elaborado em an&#225;lise, a saber, <strong>que uma aus&#234;ncia presente pode doer t&#227;o mais que uma presen&#231;a ausente; que mais doloroso ainda, no entanto, pode ser perceber-se desejando sentir ao menos a aus&#234;ncia ao inv&#233;s da indiferen&#231;a que vai timidamente se instalando no lugar daquela aus&#234;ncia mesma que se ausentou.</strong></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/606b93c7-0dca-41f9-be7c-1cddff3632a4_736x414.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/48cfd784-b019-4914-b314-a8a1a0ab945f_736x414.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/deee280e-249e-429b-a0c9-e6580a146895_1456x720.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p><strong>Do que se trata o filme:</strong> duas irm&#227;s &#8212; adultas &#8212; lidam diferentemente com a rela&#231;&#227;o conturbada com o pai erguida em seus abandonos ainda enquanto elas eram crian&#231;as. O pai, Gustav, &#233; um cineasta prestigiado do qual o p&#250;blico espera um novo filme desde seu &#250;ltimo lan&#231;amento. Agnes, a filha mais nova, &#233; historiadora e Nora, a mais velha, &#233; atriz e atua no teatro. No vel&#243;rio da m&#227;e de suas filhas, Gustav reaparece inesperadamente e diz que precisa falar com Nora. Posteriormente se encontram e ele diz ter escrito um roteiro &#8212;  que vamos percebendo ser de cunho autobiogr&#225;fico que entrela&#231;a-se com a hist&#243;ria pessoal de sua m&#227;e, assim como de seu pa&#237;s &#8212; e a oferece o papel daquela personagem argumentando t&#234;-lo feito para ela. Nora recusa. Em meio a perda recente da m&#227;e que fora t&#227;o inst&#225;vel ap&#243;s a separa&#231;&#227;o, o desfazer-se dos utens&#237;lios e casa, respectivamente, envolta e sob os quais viveu, e a aproxima&#231;&#227;o repentina do pai e sua proposta, com sua tr&#225;gica e fr&#225;gil hist&#243;ria psicol&#243;gica, acompanhamos Nora ruir diante de uma ang&#250;stia que s&#243; uma aus&#234;ncia pode gerar, a medida que ela nunca se ausenta.</p><blockquote><p><strong>&#201; lindo, &#233; delicadamente destruidor. Alguns momentos pausei para chorar.</strong></p></blockquote><p>H&#225; tanto a se dizer, por&#233;m me impus o sacril&#233;gio de escolher tr&#234;s t&#243;picos apenas para comentar com voc&#234;s. T&#243;picos que giram em torno do n&#227;o-saber do analista sobre a realidade e inconsciente do analisante; como um sintoma se constitui e sua rela&#231;&#227;o com a significa&#231;&#227;o f&#225;lica e o <em><strong>vale sentimental</strong></em> que fica quando uma aus&#234;ncia se ausenta.</p><ol><li><p><em><strong>Embora compartilhemos uma mesma realidade, experienciamos-la de forma particular:</strong></em></p></li></ol><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jTUR!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3cab2220-ff68-4a98-b47b-8393ee6bcf0b_736x920.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><strong>[IMAGEM 1]</strong> &#8212; Por que nossa inf&#226;ncia n&#227;o arruinou voc&#234;? / &#8212; H&#225; uma grande diferen&#231;a na maneira como crescemos. / &#8212; Eu tinha voc&#234;.</figcaption></figure></div><p>Isso est&#225; bem demonstrado em &#8220;Valor sentimental&#8221;. Embora ambas irm&#227;s tenham compartilhado diversas cenas de discuss&#245;es entre os pais que culmina no abandono paterno, vemos que cada uma delas lidar&#225; com tais acontecimentos de forma muito distinta. Agnes sofre muito mais por ver Nora sofrer que por ter tido uma inf&#226;ncia sem a presen&#231;a do pai, enquanto Nora carrega marcas profundas desse afastamento paterno radical. &#201; verdade que Agnes tamb&#233;m sofreu com o desfecho do casamento dos pais, entretanto, em um di&#225;logo entre as irm&#227;s fica claro um dos fatores que diferenciaram a experi&#234;ncia de cada uma delas desse mesmo fato: Agnes tinha Nora (<em>Imagem 1</em>). Quer dizer, nos momentos de choros de suadades, no sofirmento de ter sido esquecida, na dor de n&#227;o ser suficientemente importante, Nora, sendo pouco mais velha e t&#227;o sens&#237;vel &#224; necessidade da irm&#227;, esteve presente para acolher Agnes. Em contrapartida, quem esteve por Nora? De onde retirou for&#231;as essa crian&#231;a &#8212; que desempenhou uma fun&#231;&#227;o t&#227;o dura para sua condi&#231;&#227;o &#224; &#233;poca, que suportou sem ser suportada &#8212;, onde fincou seus p&#233;s para n&#227;o ser levada pelo vendaval? Retirou justamente do n&#227;o poder olhar para si mesma. Veja, esse detalhe foi crucial para que cada uma pudesse olhar para esse epis&#243;dio de forma divergente. Em dado momento da trama, em uma pequena reuni&#227;o em fam&#237;lia, &#233; crescente a tens&#227;o e desconforto entre Nora e Gustav, ela, ent&#227;o o confronta sobre sua aus&#234;ncia em suas vidas e Agnes interv&#233;m: &#8220;Voc&#234; est&#225; exagerando&#8221;. <strong>Claro, mesmo que n&#227;o propositalmente, temos todos o declive narc&#237;sico de medir a dor do outro por nossos par&#226;metros, em geral bastante prec&#225;rios</strong>. O analista advertido disso sabe da import&#226;ncia de exercer sempre seu n&#227;o-saber ao escutar seus analisantes. Diante do dito: &#8220;Meu pai &#233; autorit&#225;rio&#8221;, n&#227;o se espera de um analista que ele diga: &#8220;Entendi&#8221;, mas que pergunte: &#8220;Como assim pai autorit&#225;rio?&#8221;, uma vez que &#8220;pai&#8221; e &#8220;autorit&#225;rio&#8221; para aquela pessoa podem ser totalmente d&#237;spares da concep&#231;&#227;o do analista. <strong>Assim, sempre que compreender r&#225;pido demais, alerte-se: posso estar errado!</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rwcx!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5f6e1c17-c5b7-4f87-bd6a-4c085a1a9d16_736x920.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><strong>[IMAGEM 2]</strong> &#8212; Voc&#234;s s&#227;o a melhor coisa que me aconteceu. / &#8212; A melhor que lhe aconteceu? / &#8212; Ent&#227;o porque voc&#234; n&#227;o estava l&#225;?</figcaption></figure></div><ol start="2"><li><p><em><strong>Nossos sintomas s&#227;o met&#225;foras sobre nossa ang&#250;stia:</strong></em></p></li></ol><p>Nora, como j&#225; dito, &#233; atriz. O pai &#233; diretor, mas nunca a dirigiu. Nem nos palcos, nem diante de uma c&#226;mera. Poder&#237;amos tamb&#233;m dizer que nem na vida? Na verdade, Nora diz que o pai nunca a vira atuar. Ou melhor, Nora nunca viu a si mesma sendo vista por seu pai enquanto atuava. Porque mais que sermos vistos, desejamos nos ver sendo visto pelo outro. Tomando a liberdade para uma psican&#225;lise selvagem, &#233; poss&#237;vel lermos a escolha profissional de Nora como uma tentativa inconsciente de chamar o pai de volta ao mesmo tempo que reatualiza a cena de abandono, uma vez que o pai nunca est&#225; l&#225;. Em certo momento, assistimos Nora ter uma esp&#233;cie de crise de p&#226;nico minutos antes de entrar no palco, algo que parece ser recorrente, pois todo o pessoal que organiza o show por tr&#225;s das cortinas j&#225; aguarda seu rompante, at&#233; que enfim conseguem que ela adentre o palco. Ser&#225; um simples medo ou inseguran&#231;a de n&#227;o conseguir ir bem na atua&#231;&#227;o e passar vergonha? Eu diria que n&#227;o. Diria, por&#233;m, ser uma tentativa de escapar da ang&#250;stia sempre quase certa: ele n&#227;o estar&#225; l&#225;, meu pai n&#227;o me deseja nem mesmo eu sendo uma atriz e ele um diretor. Ora, o signo &#8220;atriz&#8221;, nessas condi&#231;&#245;es, sendo elevado ao estatuto de um significante, poderia ser tomado aqui como um significante-da-falta-no-Outro (S(A/) = S de A barrado). Ser atriz pode ter sido a resposta que Nora conseguiu dar &#224; falta que a aus&#234;ncia do pai instalou, uma resposta ao suposto desejo do pai. <strong>A partir de uma quest&#227;o sobre o desejo desse Outro: o que ele deseja tanto que n&#227;o volta? Ele &#233; diretor, faz filme, minha irm&#227; j&#225; foi atriz dele, logo, &#8220;atriz&#8221; &#233; o que falta a ele, &#8220;atriz&#8221; &#233; o que eu serei para ent&#227;o completar a falta dele e ser o objeto &#250;nico de amor do meu pai. &#201; nesse ponto que o sintoma liga-se intimamente ao significante f&#225;lico inaugurado pela met&#225;fora paterna ou Nome-do-Pai.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!CJ8U!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4fd1521d-819b-4ef6-8558-2b335694ccec_1408x736.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><ol start="3"><li><p><em><strong>Sentir &#233; doloroso, mas &#233; prefer&#237;vel que a indiferen&#231;a.</strong></em></p></li></ol><p><strong>&#8220;Entre a dor e o nada, eu escolho a dor&#8221;</strong>, frase dita por um personagem do romance &#8220;Palmeiras Selvagens&#8221; de William Faulkner, escritor norte-americano. Nora sente, sente muito, sente tanto a ponto de quase n&#227;o mais conseguir. A aus&#234;ncia de seu pai foi dolorosa, exigiu dela algo que ela n&#227;o estava preparada para dar, marcou sua vida com uma ferida aberta. Entretanto foi essa aus&#234;ncia mesma que a possibilitou encontrar-se com um desejar. O desejo de ser algo para algu&#233;m para da&#237; ent&#227;o ser algu&#233;m para si mesmo. Longe de fazer uma ode ao sofrimento. Sofrer n&#227;o &#233; bom, em hip&#243;tese alguma. Mas dizer que seria poss&#237;vel viver sem sofrimento, eu n&#227;o digo, ele tem seu papel importante em nossa condi&#231;&#227;o. Claro, se o pai n&#227;o as abandonasse, Nora poderia encontrar-se com o desejo de outra maneira, conseguimos com isso, por&#233;m, dizer que sofreria menos? Bom, a quest&#227;o n&#227;o &#233; essa. O que quero dizer &#233; que apesar de toda dor, Nora pode conseguir cronstruir algo em torno disso. Poder&#237;amos pensar: &#8220;Acho que seria melhor ser indiferente a tudo isso&#8221;. Ser&#225;? A indifer&#234;n&#231;a &#233; a aus&#234;ncia do sentir. Em que medida a apatia &#233; uma ben&#231;&#227;o? A indiferen&#231;a, a apatia, tira de n&#243;s a possibilidade de sentir o sofrimento, a tristeza, a frustra&#231;&#227;o, mas tira-nos o sentir a alegria, a satisfa&#231;&#227;o, amor, revolta, etc. N&#227;o &#233; esse parte da descri&#231;&#227;o do quadro cl&#237;nico da depress&#227;o? Quando uma aus&#234;ncia de ausenta &#8212; ou para citar Lacan &#8212;, quando a falta falta, n&#227;o h&#225; possibilidade de desejar. Por isso, melhor a dor que o nada. O <em><strong>vale</strong></em> sentimental &#8212; para brincar com o t&#237;tulo do filme &#8212;, est&#225; aqui. <strong>Uma aus&#234;ncia tamb&#233;m pode causar uma indiferen&#231;a e essa dor d&#243;i porque n&#227;o existe, d&#243;i por quer&#234;-la mas n&#227;o h&#225;, apenas. A secura de um deserto. N&#227;o enxergar o fim de uma viela sem ilumina&#231;&#227;o. Poder quase tocar o nada.</strong></p><p>Atenciosamente,<br>Jos&#233; Anderson</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/o-vale-sentimental-de-uma-ausencia/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/o-vale-sentimental-de-uma-ausencia/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti</span></a></p><p></p><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p>O filme est&#225; dispon&#237;vel no cat&#225;logo da Mubi. Para ter acesso ao streaming por 30 dias gr&#225;tis basta cadastrar-se atrav&#233;s do link (<a href="http://Aqui est&#225; um m&#234;s inteiro de MUBI. Gr&#225;tis. Incr&#237;veis filmes escolhidos a dedo, de diretores igualmente incr&#237;veis. Acho que voc&#234; vai adorar. Bons filmes. https://mubi.com/t/android/global/vaetPdW3?utm_source=app_share&amp;utm_medium=android">clique aqui</a>).</p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Por que parece que todo mundo quer vender um jeito certo de viver?]]></title><description><![CDATA[Em uma sociedade como a nossa, regida por um ide&#225;rio neoliberal, (...) n&#227;o &#233; de se espantar que, cedo ou tarde, a pr&#243;pria vida se tornasse um produto.]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/por-que-parece-que-todo-mundo-quer</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/por-que-parece-que-todo-mundo-quer</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Fri, 20 Feb 2026 15:33:33 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7d2643ec-c452-4375-a37f-be77cdd17954_960x721.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>N&#227;o &#233; uma excepcionalidade de nossa &#233;poca. Desde que o mundo &#233; mundo sabe-se de pessoas que elegeram a si mesmas o posto de arauto do &#8220;jeito certo de viver&#8221;. A partir da&#237; esses maneiras fazem-se presentes nas culturas distribu&#237;das nas sociedades que povoam a terra. Cada cultura ter&#225; seu &#8220;jeito certo de viver&#8221; baseado em alguma cren&#231;a, seja religiosa, no sentido de estar envolvido com alguma esp&#233;cie de des&#237;gnio divino, seja baseado em algum costume ou conjunto de constumes apreendido e transmitido ao longo da ramifica&#231;&#227;o geneal&#243;gica das fam&#237;lias que dividiram uma mesma demarca&#231;&#227;o lingu&#237;stica, territorial, social e econ&#244;mica. Por isso, no microcosmo de cada fam&#237;lia, tamb&#233;m h&#225; os guardi&#245;es do &#8220;jeito certo de viver&#8221; que ser&#225; imposto aos filhos e espera-se deles que o imponha aos seus e esses aos deles e assim sucessivamente. <strong>J&#225; que o dinheiro mesmo n&#227;o pertence a ningu&#233;m, talvez, sejam os costumes, os ritos, enfim, a tradi&#231;&#227;o, a &#250;nica real heren&#231;a dos homens. </strong>No entanto, nem sempre foi e &#233; t&#227;o f&#225;cil assim essa transmiss&#227;o. <strong>Toda heran&#231;a traz consigo a necessidade de um acerto de contas. Toda heran&#231;a &#233; a marca de uma d&#237;vida: herdamos o qu&#234; e de quem? Queremos isso? Deixaremos para tr&#225;s ou algu&#233;m gostaria de levar consigo?</strong> Todo filho nasce com esse momento a sua espera: ter de decidir <em><a href="https://open.spotify.com/track/2DREhftHdD8pRmNdSs6nyF?si=o7phRh1BR7S73_n684n46A">romper tratados, trair os ritos</a> </em>&#8212; como canta Ney Matogrosso<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a> &#8212;, ou segu&#237;-los. Claro, se uma decis&#227;o ou outra &#233; boa, melhor, ruim ou p&#233;ssima, depender&#225; de cada contexto e de cada um que o vive. Mas &#233; sobre uma outra coisa que pretendo falar hoje.</p><p>Embora n&#227;o seja uma excepcionalidade de nossa &#233;poca, fato &#233; que, antes, essa press&#227;o de ter de seguir um &#8220;jeito certo de viver&#8221; nos era imposta por uma quantidade muito menor de agentes: um ou alguns familiares, uma congrega&#231;&#227;o religiosa ou socioeconomica. Hoje, depois do advento da internet e, especificamente, das &#8220;redes sociais&#8221; &#8212; que prefiro chamar de <em><strong>m&#237;dias digitais</strong></em> &#8212;, sempre que acessamos algum ve&#237;culo dessas m&#237;das, plataformas como Instagram, Facebook, Thread, X, TikTok, Youtube, &#233; como se experienci&#225;ssemos uma avalanche initerrupta de como, das mais diversas formas poss&#237;veis, dever&#237;amos viver nossas vidas: o que, quando, com quem, com o que e como comer, beber, vestir, ler, assistir, correr, fazer trilha, fazer sexo, namorar, casar, sonhar, trabalhar, postar, comprar, viajar e morrer. No entanto, a imagem autorit&#225;ria da imposi&#231;&#227;o do &#8220;jeito certo de viver&#8221; n&#227;o combina com a <em><strong>vibe soft</strong> </em>e <em><strong>aesthetic</strong></em> de nossa &#233;poca digital, instant&#226;nea e leve, portanto, o &#8220;jeito certo de viver&#8221; sofreu um <em><strong>rebranding</strong></em> e se chama &#8220;um estilo de vida&#8221; e nada &#233; imposto, mas tudo &#233; vendido, &#233; preciso convencer que o desejo j&#225; est&#225; l&#225; e temos o objeto desejado. Dessa forma, ter de vender um estilo de vida parece ter se tornado um requesito t&#225;cito para se criar um perfil nessas plataformas. &#201; inevit&#225;vel n&#227;o pensar em como isso &#233; o resultado de um projeto econ&#244;mico-pol&#237;tico de natureza utilitarista que prioriza a l&#243;gica de mercado, ou seja, a l&#243;gica do consumo, como o estilo de vida do momento. <strong>Em uma sociedade como a nossa, regida por um ide&#225;rio neoliberal, na qual o &#250;nico crit&#233;rio de inclus&#227;o e visibilidade, em suma, de exist&#234;ncia dos sujeitos &#233; que sejam sujeitos cunsumidores, n&#227;o &#233; de se espantar que, cedo ou tarde, a pr&#243;pria vida se tornasse um produto.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f0hF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc8a73197-a366-4d8b-9ec7-9b15032ede99_960x1200.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f0hF!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc8a73197-a366-4d8b-9ec7-9b15032ede99_960x1200.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f0hF!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc8a73197-a366-4d8b-9ec7-9b15032ede99_960x1200.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f0hF!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc8a73197-a366-4d8b-9ec7-9b15032ede99_960x1200.jpeg 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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n&#227;o trabalhem e produzam como tal. Ora, &#233; a mesma l&#243;gica de toda e qualquer empresa cujo funcione sob as regras de uma ind&#250;stria de produ&#231;&#227;o de larga escala: se voc&#234; &#233; um pe&#227;o de ch&#227;o de f&#225;briga e deseja uma promo&#231;&#227;o a gerente, vista-se, porte-se, fale, trabalhe e entregue resultados, ainda enquanto pe&#227;o, <em><strong>como se</strong></em> j&#225; fosse gerente, dessa forma voc&#234; j&#225; estar&#225; pronto quando a oportunidade chegar. <strong>Veja, essa &#233; uma das facetas das novas t&#233;cnicas de poder da sociedade neoliberal para conseguir explorar cada vez mais o trabalhador de forma volunt&#225;ria, sem precisar coagi-lo. </strong>Essa l&#243;gica do <em><strong>como se</strong></em> j&#225; est&#225; presente no liberalismo e &#233; acentuada no neoliberalismo, como bem nos demonstra Dunker, Safatle e Nelson no livro &#8220;Neoliberalismo como gest&#227;o do sofirmento ps&#237;quico&#8221;<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a> e Byung-Chul Han em &#8220;Psicopol&#237;tica: neoliberalismo e novas t&#233;cnicas de poder&#8221;<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-3" href="#footnote-3" target="_self">3</a>. Assim, podemos apostar que o n&#250;mero de &#8220;influenciadores&#8221; est&#225; subestimado, embora j&#225; n&#227;o seja pequeno. Outra curiosidade &#233; que a maior parte deles &#8212; n&#227;o h&#225; um n&#250;mero preciso &#8212; est&#225; dentro de um nicho muito espec&#237;fico, mas que ao mesmo tempo &#233; vari&#225;vel: <strong>o mercado lifestyle, isto &#233;, o mercado do estilo de vida.</strong> &#201; uma autoclassifica&#231;&#227;o que designa a natureza do perfil em alguma das plataformas digitais, termo que marca a especificidade de seu conte&#250;do/produto: a pr&#243;pria vida. <strong>Aquilo que come&#231;ou como um lugar no qual jovens podiam expressar seus descontentamentos, alegrias, sonhos, fazerem amigos, etc, &#233;, agora, a maior vitrine na qual o que se &#233; ofertado &#233; a vida que se leva ou a vida que se gostaria de levar. At&#233; a&#237; poder&#237;amos pensar que &#8220;ok&#8221;. Contudo, e se ofert&#225;ssemos uma vida que apenas </strong><em><strong>parece</strong></em><strong> que levamos?</strong> </p><p>Guy Debord, fil&#243;sofo franc&#234;s, se ainda vivesse, n&#227;o se surpreenderia. Vejamos algumas de suas teses, reunidas pela primeira vez ainda em 1967 no livro &#8220;A sociedade do espet&#225;culo&#8221;<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-4" href="#footnote-4" target="_self">4</a>, a partir das quais diagnosticou de forma espantosamente precisa o destino da sociedade que ele conheceu:</p><div class="pullquote"><p>I - A separa&#231;&#227;o consumada</p><p><strong>4<br>A sociedade do espet&#225;culo n&#227;o &#233; um conjunto de imagens, mas uma rela&#231;&#227;o social entre pessoas, mediada por imagens.</strong></p></div><p>As rela&#231;&#245;es humanas sempre foram permeadas por ru&#237;dos presentes no seu principal canal de intera&#231;&#227;o, a saber, a comunica&#231;&#245;es. Sempre houveram os mal-entendidos e as suposi&#231;&#245;es equivocadas, isso j&#225; quando as pessoas s&#243; se falavam diretamente umas com as outras, imagine agora quando j&#225; n&#227;o nos falamos, basta que uma imagem &#8220;diga&#8221; algo ou represente algo por mim? O que se perde n&#227;o &#233; apenas aquilo que o outro poderia receber de mim, mas a pr&#243;pria capacidade de se direcionar ao outro. Nos direcionamos &#224; c&#226;mera, ao app de mensagem, ao algoritmo e o outro recebe desses intermedi&#225;rios.</p><div class="pullquote"><p><strong>17</strong></p><p><strong>A primeira fase da domina&#231;&#227;o da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda realiza&#231;&#227;o humana, uma evidente degrada&#231;&#227;o do </strong><code>ser</code><strong> para o </strong><code>ter</code><strong>. A fase atual, em que as vida social est&#225; totalmente tomada pelos resultados acumulados da economia, leva a um deslizamento generalizado do </strong><code>ter</code><strong> para o </strong><code>parecer</code><strong>, do qual todo &#8220;ter&#8221; efetivo, deve extrair seu prest&#237;gio imediato e sua fun&#231;&#227;o &#250;ltima. Ao mesmo tempo, toda a realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da for&#231;a social, moldada por ela. S&#243; lhe &#233; permitido aparecer naquilo que ela n&#227;o &#233;.</strong></p></div><p>Ou seja, como j&#225; n&#227;o bastava <strong>ser</strong> m&#233;dico, confeiteiro ou psicanalista, tornou-se necess&#225;rio <strong>ter</strong> os melhores jaleco e estetosc&#243;pio, a pr&#243;pria confeitaria com os melhores forno e batedeira, o pr&#243;prio consult&#243;rio com todos os livros de Freud em cole&#231;&#227;o vintage de capa dura; agora, mais que tudo isso, &#233; preciso <strong>parecer ser</strong>, assim como <strong>parecer ter</strong> para ent&#227;o existir. Levemos a outros &#226;mbitos, n&#227;o basta ser casado, ter filhos e estar feliz, &#233; preciso parecer esposo, parecer pai e parecer feliz. E sejamos mais agudos, j&#225; n&#227;o precisa ser ou ter alguma coisa, basta apenas que se consiga fazer parecer aos outros que, ent&#227;o, se &#233; ou tem.</p><div class="pullquote"><p><strong>33</strong></p><p><strong>O homem separado de seu produto produz, cada vez mais e com mais for&#231;a, todos os detalhes de seu mundo. Assim, v&#234;-se cada vez mais separado de seu mundo. Quanto mais sua vida se torna seu produto, tanto mais ele se separa da vida.</strong></p></div><p>A separa&#231;&#227;o do trabalhador do objeto que ele porduz, separa-o de sua pr&#243;pria vida. Pensemos: uma mulher que cultiva hortali&#231;as para a subesist&#234;ncia de sua fam&#237;lia e, para o almo&#231;o daquele dia, recolhe algumas verduras, ela est&#225; trabalhando ou vivendo sua vida? Obviamente, ambas as coisas, sua atividade de plantar e colher s&#227;o trabalhos, mas o que ela produz a liga diretamente com sua vida, de modo que o trabalho faz parte da vida, n&#227;o a captura, por&#233;m. N&#227;o &#233; esse o paradigma que orienta nossa rela&#231;&#227;o com o trabalho na contemporaneidade, um vendedor de carros pode jamais ter os recursos financeiros para consumir o objeto de desejo que sua oferta produz, no entanto, esse trabalho pode consumir sua vida a partir das alt&#237;ssimas m&#233;tricas exigidas dele como metas de desempenho e rentabilidade por vendas, a ponto de ter que viver em fun&#231;&#227;o das vendas para conseguir manter seu trabalho e sobreviv&#234;ncia. Assim, quanto mais ele trabalha mais se afasta de sua vida mesmo que para mant&#234;-la. <strong>Mas e quando sua vida &#233; o pr&#243;prio produto a ser vendido? Ocorre o mesmo, porque j&#225; n&#227;o est&#225; se vivendo a vida, mas vivendo o trabalho que a vida se tornou e a vida mesma s&#243; se &#233; experienciada atrav&#233;s da l&#243;gica do consumo. Quer dizer, se estou vivendo o trabalho que a vida se tornou para a produ&#231;&#227;o de uma vida a ser vendida, s&#243; &#233; poss&#237;vel apreender a vida-produto consumindo-a porque esse mesmo estilo de vida j&#225; me foi vendido por um outro.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jV8n!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fee4ea4e7-2ff1-4873-9a67-63676a02a7e8_720x720.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jV8n!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fee4ea4e7-2ff1-4873-9a67-63676a02a7e8_720x720.jpeg 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Em uma sociedade na qual o &#250;nico lugar poss&#237;vel de existir &#233; o lugar do consumo, fechamos o cotidiano em um curto-circuito no qual produzimos o que consumimos e consumimos o que produzimos, sem conseguir, entretanto, diferenciar a vida do trabalho, o trabalho da vida, o trabalho do produto ou o produto do trabalho. Quer dizer, onde uma coisa come&#231;a e a outra termina?</p><div class="pullquote"><p>II - A mercadoria como espet&#225;culo</p><p><strong>53<br>A consci&#234;ncia do desejo e o desejo da consci&#234;ncia s&#227;o o mesmo projeto que, sob a forma negativa, quer a aboli&#231;&#227;o das classes, isto &#233;, que os trabalhadores tenham a posse direta de todos os momentos de sua atividade. Seu contr&#225;rio, &#233; a sociedade do espet&#225;culo, na qual a mercadoria contempla a si mesma no mundo que ela criou.</strong></p></div><p>Quando o produto a ser vendido &#233; um estilo de vida, vendemos porque amamos viver daquele jeito e gostar&#237;amos que outras pessoas o experimentasse ou o vivemos porque precisamos vend&#234;-lo? Se for o segundo caso, ser&#225; ent&#227;o que vivemos o que realmente desejamos? Somos realmente felizes nessa vida obrigada? A possibilidade de monetizar fragmentos do dia a dia registrados em imagens e divulgados em tempo real n&#227;o diz apenas sobre o desejo de ser visto, mas tamb&#233;m sobre o desejo de tornar-se consumido, ser mercadoria que gere lucro: <strong>&#233; o sonho de ser um meio de produ&#231;&#227;o que possibilite acumular capital.</strong> &#201; como se seu corpo e o que ele pode fazer nas 24h do dia fosse, diante de uma c&#226;mera, as &#250;nicas coisas necess&#225;rias para dominar o mercado, tornar-se famoso, milion&#225;rio e relevante. De fato, o bolso &#233; o &#243;rg&#227;o mais sens&#237;vel do ser humano e o neoliberalismo sabe explorar essa fraqueza. <strong>Tem-se um celular e um sonho, alcan&#231;a-se um trabalho 24/7 sem remunera&#231;&#227;o e direitos.</strong></p><p>Esses s&#227;o alguns aspectos que vejo como minimamente razo&#225;veis para se pensar o porqu&#234; parece que todo mundo quer vender um &#8220;jeito certo de viver&#8221;, ou melhor, &#8220;um estilo de vida&#8221;, n&#227;o porque necessariamente acreditam nele, mas porque parecem-lhes que s&#243; dessa maneira pode-se existir no mundo, pode-se existir para o outro e para si mesmo. Da&#237;, a import&#226;ncia de cultivarmos um olhar cr&#237;tico quanto ao que acessamos, estar atento a essa l&#243;gica pode nos ajudar a notar para onde tentam nos arrastar e conseguir decidir se ir ou n&#227;o. </p><p>Meu objetivo n&#227;o &#233; aqui tentar vender um estilo de vida que seja o contr&#225;rio ao vigente, mas convid&#225;-los a questionarem-se sobre como se est&#225; vivendo a pr&#243;pria vida, por qu&#234; e para qu&#234;. Se ap&#243;s questionarem-se decidirem que sim, v&#227;o seguir a tend&#234;ncia, ok, ou n&#227;o, seguir&#227;o outro caminho, ok, tamb&#233;m. Contudo, o lugar ocupado agora j&#225; ser&#225; diferente, porque ap&#243;s decidirem sob os pr&#243;prios crit&#233;rios de escolha &#8212; o qu&#234;, por qu&#234;, para qu&#234;, como, com quem e quando &#8212;, sobre a pr&#243;pria vida, se sabe que se decidiu seguir A, B ou C. Adoecemos, sofremos e paralizamos quando n&#227;o sabemos que a decis&#227;o pode ser nossa e tomamos decis&#245;es sem saber que estamos tomando. &#201; uma mudan&#231;a de posi&#231;&#227;o que necessariamente muda a vida, pois olhamos para ela de outro &#226;ngulo.</p><p>Sigamos pensando.</p><p>Atenciosamente,<br>Jos&#233; Anderson.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/por-que-parece-que-todo-mundo-quer/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/por-que-parece-que-todo-mundo-quer/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti</span></a></p><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p>Ou&#231;a a m&#250;sica &#8220;Sangue latino&#8221; no Spotify: </p><iframe class="spotify-wrap" data-attrs="{&quot;image&quot;:&quot;https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b2739f0e7b0974da507e8289db25&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Sangue latino&quot;,&quot;subtitle&quot;:&quot;Secos &amp; Molhados&quot;,&quot;description&quot;:&quot;&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.spotify.com/track/2DREhftHdD8pRmNdSs6nyF&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;noScroll&quot;:false}" src="https://open.spotify.com/embed/track/2DREhftHdD8pRmNdSs6nyF" frameborder="0" gesture="media" allowfullscreen="true" allow="encrypted-media" loading="lazy" data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p>Adquira o livro na Amazon (<em><strong><a href="https://a.co/d/02TUAgc6">Clique aqui</a></strong></em><strong>)</strong></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-3" href="#footnote-anchor-3" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">3</a><div class="footnote-content"><p>Adquira o livro na Amazon (<strong><a href="https://a.co/d/02P2Iiha">Clique aqui</a></strong>)</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-4" href="#footnote-anchor-4" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">4</a><div class="footnote-content"><p>Adquira o livro na Amazon (<strong><a href="https://a.co/d/0eh07aJz">Clique aqui</a></strong>)</p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Elogio ao esquecimento]]></title><description><![CDATA[&#233; porque esquecemos, mesmo que ligeiramente, que um dia iremos morrer que vivemos sem que esse medo nos assombre constantemente]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/elogio-ao-esquecimento</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/elogio-ao-esquecimento</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Mon, 09 Feb 2026 23:05:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5PwR!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fae358dc1-d1d0-47f2-add2-d4fb081becd4_1000x667.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><strong>&#8220;Confiss&#245;es de uma m&#225;scara&#8221;</strong> de Yukio Mishima (escritor japon&#234;s que tem uma biografia interessant&#237;ssima) inicia de forma inusitada. O personagem que narrar&#225; em primeira pessoa suas confiss&#245;es decide contar sua hist&#243;ria desde sua mais rec&#244;ndita mem&#243;ria e, no seu caso, ele defende at&#233; o fim, &#233; a lembran&#231;a de seu primeiro dia de vida. Sim, ele diz recordar seu nascimento. Enquanto crian&#231;a teimava em contar a recorda&#231;&#227;o do momento que acabra de sair do &#250;tero aos familiares e amigos convidados a jantares. Em todas ocasi&#245;es fora fortemente repreendido pela &#8220;mentira&#8221;, visto que h&#225; muito existe o consenso cient&#237;fico de que os beb&#234;s, embora construam mem&#243;rias sensoriais j&#225; na vida intrauterina, como o registro da voz dos pais, por exemplo, n&#227;o armazenam mem&#243;rias epis&#243;dicas, pois o hipocampo ainda n&#227;o est&#225; plenamente desenvolvido e porque antes do surgimento da linguagem seja imposs&#237;vel o registro narrativo de experi&#234;ncias, por isso, geralmente, diz-se que a partir dos tr&#234;s anos de idade &#233; que conseguimos registrar acontecimentos poss&#237;veis de serem lembrados ao longo da vida. Entretanto para ele era a mais pura verdade tal lembran&#231;a, tinha consigo a n&#237;tida imagem da cor da manta que lhe foi envolta pela primeira vez.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6f345e05-83db-49c3-b7a4-9f5549df4350_2252x4000.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/webp&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4ac8884a-e730-40f3-a570-5e6071ca29b4_413x624.webp&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Foto autural do exemplar que tenho tenho e uma foto do autor Yukio Mishima retirada do google imagens.&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3e91c02c-ae34-4e07-a09b-a381b0caf388_1456x720.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Poder&#237;amos discutir as v&#225;rias possibilidades de como essa mem&#243;ria pode ter sido constru&#237;da anos depois e tida como uma mem&#243;ria registrada naquele dia t&#227;o remoto e como isso pode ser fundamental na sustenta&#231;&#227;o do mito individual daquele sujeito. Tamb&#233;m poder&#237;amos discutir como a escolha de abrir um livro em primeira pessoa e dedicado a confiss&#245;es autobiogr&#225;ficas pode ser uma t&#233;cnica liter&#225;ria que o autor usa para ressaltar a necessidade de o leitor desconfiar do que ser&#225; dito dali em diante, um aviso como: se essa mem&#243;ria &#233; imposs&#237;vel e pode ter sido inventada, &#233; prudente duvidar das pr&#243;ximas tamb&#233;m. Fica ai uma dica de como voc&#234; pode olhar para obras com semelhante estrutura. <strong>N&#227;o &#233;, por&#233;m, sobre nenhum desses aspectos que gostaria de falar hoje e, sim, sobre a import&#226;ncia de n&#227;o registrarmos tudo e, sobretudo, de esquecer at&#233; mesmo o que j&#225; foi registrado na mem&#243;ria. </strong>Ao menos &#233; com esse intuito que inicio esse texto.</p><p>Um dia desses passados, estava conversando com Esterfani sobre a quantidade de estantes de livros que temos. S&#227;o tr&#234;s estantes. Apesar de eu utilizar praticamente todo espa&#231;o das estantes com livros meus, &#233; verdade que duas delas s&#227;o de Esterfani, isto &#233;, antes de morarmos juntos ela j&#225; tinha suas estantes e eu organizava meus livros em tr&#234;s prateleiras gigantes na parede da minha casa. Quando decidimos viver juntos, foi preciso que eu comprasse mais uma estante, pois n&#227;o trouxe minhas prateleiras. Atualmente, meus exemplares v&#234;m aumentando a cada m&#234;s praticamente, necessitando de mais espa&#231;o para organizar os novos membros da fam&#237;lia. Conversando com um amigo, eu disse: &#8220;Preciso comprar outra estante, <strong>n&#243;s temos tr&#234;s</strong> em casa, <strong>duas</strong> minhas e <strong>uma</strong> &#233; de Esterfani. O que eu preciso mesmo &#233; parar de comprar livros por enquanto, mas como eu n&#227;o consigo, vou comprar mais uma estante mesmo&#8221;. Posteriormente, em um outro momento, em uma outra conversa, Esterfani me corrigiu: &#8220;Olha, n&#227;o estou cobrando nem nada, mas <strong>duas</strong> estantes s&#227;o minhas e <strong>uma</strong> &#233; sua&#8221;. Eu, de imediato, duvidei piamente do que tinha ouvido. Eu, realmente, acreditava ser o contr&#225;rio. <strong>Eu tinha n&#237;tido o dia que tinha comprado as duas estantes e, inclusive, a lembran&#231;a de ter clicado no &#8220;sinal de mais&#8221; (+) no carrinho da loja virtual para adicionar mais um daquele item na compra, assim como tinha a lembran&#231;a do recebimento das duas estantes.</strong> Depois, ouvindo Esterfani me dizer como de fato tinha sido, lembrei de tudo e percebi que estava errado. Fiquei dias pensando nisso. <strong>Mas tamb&#233;m me levou a pensar n&#227;o s&#243; no esquecimento, mas em nossa capacidade de construir falsas mem&#243;rias.</strong></p><p>Esse foi um causo bobo, mas sendo psicanalista foi imposs&#237;vel n&#227;o ver Freud nisso. Abrirei um pequeno par&#234;ntese. O Freud chamava esse fen&#244;meno de <strong>&#8220;mem&#243;rias encobridoras&#8221;</strong>, isto &#233;, quando esquemos de algo vivido e em seu lugar constru&#237;mos uma mem&#243;ria sobre o que, muitas vezes, gostar&#237;amos de como tivesse sido. No tocante a quantidade de estantes, nada de t&#227;o dr&#225;stico &#233; consequente disso. Por&#233;m esse mecanismo ps&#237;quico, que seria em uma linguagem freudiana um mecanismo de defesa contra acontecimentos traum&#225;ticos, pode estar presente em esquecimentos referentes a vivencias muito dolorosas. <strong>Um aspecto do trabalho anal&#237;tico em Freud tem a dire&#231;&#227;o de recordar </strong><em><strong>a verdade factual</strong></em><strong> por detr&#225;s das mem&#243;rias encobridoras sobre determinado acontecimento. Essa </strong><em><strong>verdade factual</strong></em><strong> constitu&#237;ria o n&#250;cleo patog&#234;nico que estaria, de t&#227;o doloroso para aquela pessoa, levando-a a produ&#231;&#227;o inconsciente de inibi&#231;&#245;es, sintomas e ang&#250;stia, ao acessar tal </strong><em><strong>verdade</strong></em><strong> seu sofrimento seria eliminado.</strong> Em Lacan, &#233; totalmente diferente, n&#227;o importa, necessariamente, o &#8220;fato vivido&#8221;, mas, sim, o fato discursivo, pois segundo a epistemologia que sustenta a psican&#225;lise lacaniana, s&#243; h&#225; fatos de discurso, isto &#233;, s&#243; h&#225; aquilo que se fala sobre a coisa que se viveu e aquilo que se diz mesmo sem falar sobre ela tamb&#233;m. Em outras palavras, enunciado e enuncia&#231;&#227;o. <strong>A dire&#231;&#227;o do tratamento em Lacan n&#227;o busca </strong><em><strong>a verdade factual</strong></em><strong> do vivido, todavia, de modo geral e arriscando ser reducionista, busca viabilizar uma reflex&#227;o sobre o que se diz e como se diz daquilo que foi vivido e para qu&#234; se diz de tal forma, em suma, &#233; uma busca pela posi&#231;&#227;o do sujeito.</strong> Uma consequ&#234;ncia pr&#225;tica dessas duas maneiras de ocupar o lugar de analista &#233; que no primeiro caso, o analista pode dar-se o direito de julgar se aquilo que o analisante est&#225; dizendo &#233; verdade ou mentira, essa dicotomia pode levar a julgamentos morais sobre o analisante, sua maneira de viver, suas escolhas, etc. No segundo caso, tal esp&#233;cie de julgamente n&#227;o &#233; admitido, visto que n&#227;o se busca comparar o que se diz com o que se viveu. Isso n&#227;o quer dizer que o analisante n&#227;o nos conte mentiras &#8212; como compreendemos popularmente acerca da mentira &#8212; isso quer dizer que o analista n&#227;o deve se preocupar com isso. N&#227;o raro, os analisantes mentem e se desmentem naturalmente, uns com mais frequ&#234;ncia e facilidade que outros, mas acontece a todos. <strong>Escutamos: &#8220;Eu fiz/disse &#8216;x&#8217;. N&#227;o. Minto eu. Eu fiz/disse &#8216;y&#8217;, na verdade&#8221;. Orientados pela teoria de Lacan, devemos nos perguntar por que mesmo sabendo que fez/disse de outra forma, primeiro falou, construiu um cen&#225;rio, disse de si em uma posi&#231;&#227;o diferente para s&#243; depois corrigir-se? H&#225; alguma diferen&#231;a entre o sujeito do primeiro dito e o sujeito do segundo?</strong> E se for um momento oportuno, levar esses questionamentos ao analisante para que ele produza algo sobre isso. Par&#234;ntese fechado.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg" width="736" height="736" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:736,&quot;width&quot;:736,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:61228,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/i/158744555?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PTwt!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32d06f9c-7153-4038-ba4e-cd38637ee7f6_736x736.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Imagem retirada do google imagens</figcaption></figure></div><p>Contudo, enfim, qual a import&#226;ncia de n&#227;o resgistrar e, sobretudo, esquecer? Uma maneira f&#225;cil de compreender a vantagem de n&#227;o registrar tudo em nossa mem&#243;ria &#233; se pensarmos nessa capacidade como sendo limitada. Igual a mem&#243;ria de um <em>smartphone</em>, dividida em duas partes, uma mem&#243;ria para armazenamento e outra para fazer o sistema operacional funcionar. Quando o armazenamento est&#225; muito cheio, falta mem&#243;ria para o sistema operacional funcionar e sua efici&#234;ncia &#233; reduzida e, em alguns casos, totalmente exaurida. Assim &#233; o nosso c&#233;rebro. Dividimos nossa capacidade de registrar mem&#243;rias para operar nossa cogni&#231;&#227;o (sobreviv&#234;ncia, aprendizagem e funcionamento cotidiano) e armazenamento de mem&#243;rias propriamente dito. O c&#233;rebro como todo outro &#243;rg&#227;o segue uma esp&#233;cie de pr&#237;ncipio utilitarista da efici&#234;ncia em primeiro lugar, ou seja, realizar aquilo que &#233; fundamental para a sobreviv&#234;ncia com o menor gasto de energia poss&#237;vel. Agora, imagina se registr&#225;ssemos absolutamente tudo o que viv&#234;ssemos, v&#237;ssemos, ouv&#237;ssemos ou l&#234;ssemos? Ser&#225; mesmo que absolutamente tudo isso em seus m&#237;nimos detalhes s&#227;o extremamente necess&#225;rios para a sobreviv&#234;ncia? Aquilo que o c&#233;rebro julga in&#250;til, ele esquece. Da&#237;, por exemplo, a necessidade de exercitar como forma de lembrar frequentemente o que se aprendeu de uma segunda l&#237;ngua adquirida para que ela n&#227;o seja esquecida com o tempo. Quando contamos a hist&#243;ria de um romance que lemos, contamos aquilo que registramos daquela hist&#243;ria, suas tramas e seus desfechos, mas n&#227;o contamos, literalmente, como est&#225; escrito, de modo que o registro na mem&#243;ria n&#227;o &#233; um ato de decorar. Imagina tamb&#233;m se lembr&#225;ssemos de todos momentos que j&#225; estivemos tristes na adolesc&#234;ncia. Seria necess&#225;rio muito espa&#231;o de armazenamento para isso &#8212; tendo em vista nossa disposi&#231;&#227;o ao sofrimento nessa fase da vida &#8212;  o que levaria a efici&#234;ncia de nossa cogni&#231;&#227;o &#224; redu&#231;&#227;o ou at&#233; a exaust&#227;o. Aqui, reside a import&#226;ncia de esquecer, mais que armazenar mem&#243;rias, poder esquel&#234;-las &#233; condi&#231;&#227;o de viva. <strong>&#201; porque esquecemos que conseguimos registrar outras coisas; &#233; porque esquecemos, mesmo que ligeiramente, que vamos morrer que vivemos sem que esse medo nos assombre constantemente.</strong></p><p>Outro benef&#237;cio de esquecer &#233; poder criar. O personagem de Mishima s&#243; pode criar aquela mem&#243;ria t&#227;o primitiva &#8212; se concordarmos que seja imposs&#237;vel uma mem&#243;ria t&#227;o rec&#244;ndita como a do dia do pr&#243;prio nascimento &#8212; porque havia um espa&#231;o vazio para tal realiza&#231;&#227;o. <strong>Essa cria&#231;&#227;o de mem&#243;rias deturpadas em retrospecto &#233; riqu&#237;ssima porque diz muito de n&#243;s no presente tentando recontar um passado para avan&#231;ar a um futuro cujo n&#227;o haver&#225; lacunas alguma sobre n&#243;s. Uma tentativa de nos al&#231;ar ao estatuto her&#243;ico de um monumento hist&#243;rico e alvissareiro. </strong>Poder-nos-&#237;amos dizer com plena certeza que todas nossas mem&#243;rias infantis, adolescentes e at&#233; mesmo adultas s&#227;o de fato condizentes com o vivido? Ou algumas delas s&#227;o cria&#231;&#245;es manipuladas da experi&#234;ncia para nos lembrarmos daquilo com uma am&#225;vel e melanc&#243;lica nostalgia? Tal qual a quantidade das minhas estantes. Mateus, personagem do romance <strong>&#8220;Um dia chegarei a Sagres&#8221;</strong>, da escritora N&#233;lida Pi&#241;on, nos conta j&#225; em sua velhice a hist&#243;ria de sua vida pregressa com todos os entreveiros, paix&#245;es e desilus&#245;es presentes em sua trajet&#243;ria. A mem&#243;ria &#233; o que guia Mateus e dado momento sobre a figura do av&#244; Vicente, t&#227;o marcante e presente em suas narrativas, ele se questiona: </p><blockquote><p><em>&#8220;Ter&#225; sido assim que o av&#244; sentia no esfor&#231;o de ser feliz, ao menos aos domingos? Ou invento agora um ser que de fato n&#227;o existiu, a que eu adiciono uma complexidade que faz jus n&#227;o a ele, mas a mim pr&#243;prio, ora velho combalido, que observa o mundo com um saber dolorido?&#8221;</em></p></blockquote><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a63f599a-1f3e-45f2-b82c-53613f63b35d_3000x3750.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c4286607-a924-4f27-8434-838c827d76ac_980x980.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Foto autoral do exemplar que tenho e uma foto da autora retirada do google imagens.&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/286e5884-55bf-45a1-a81c-3718f6b925ec_1456x720.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Ao decorrer de sua narra&#231;&#227;o, Mateus rememora seus passos, sobretudo, os passos impedidos. Vivera em uma tentativa frustrada de recuperar a mem&#243;ria triunfante de um fantasma luso, o Infante D. Henrique. Sua ilus&#227;o fora crer que estar a altura dos reis fosse impreitar uma viagem de retorno &#224;s suas sombras, apesar da advert&#234;ncia do av&#244;:</p><blockquote><p>&#8220;<em>&#8212; Acato sua fantasia, Mateus. Mas o Infante n&#227;o passa de um fantasma que invadiu seu cora&#231;&#227;o.&#8221;</em></p></blockquote><p>Quando esquecemos e criamos, em contrapartida, uma mem&#243;ria sobre aquilo, essa cria&#231;&#227;o &#233; um exerc&#237;cio de nossa capacidade de fantasiar, de criarmos realidades outras para constituir nossa hist&#243;ria. Frequentemente criamos realidades que julgamos serem melhores para n&#243;s. Todavia, voc&#234; pode questionar-me: E aquelas lembran&#231;as nas quais somos vitimados por um outro que nos humilhou de alguma maneira? N&#227;o &#233; uma boa lembran&#231;a. Por que n&#227;o esquecemos ou querer&#237;amos criar uma mem&#243;ria assim? <strong>Ora, &#233; uma lembran&#231;a constante de que o </strong><em><strong>outro</strong></em><strong> &#233; culpado por seu desagrado. O lugar da v&#237;tima, por mais prejudicado que possa ser, socialmente &#233; sempre um lugar privilegiado &#224; compaix&#227;o, solidariedade e apoio. O eterno lugar da v&#237;tima pode levar-nos a uma posi&#231;&#227;o de ressentimento, mas nunca de culpa, &#233; um cen&#225;rio que tendemos julgar como melhor, mesmo que a lembran&#231;a seja dolorosa. </strong>Mateus &#233; um exemplo disso. Sua ofen&#231;a, no entanto, fora anunciada por Deus, pela P&#225;tria, por sua L&#237;ngua.</p><p>A capacidade de fantasiar est&#225; diretamente ligada a capacidade de desejar. S&#243; &#233; capaz de deseja quem pode criar cen&#225;rios cujo n&#227;o se concretizaram, que s&#227;o, por&#233;m, habitantes da terra dos poss&#237;veis. &#201; um salto a frente. Imaginar um passado que n&#227;o existiu &#233; express&#227;o de um desejo, n&#227;o passado, mas um desejo presente. &#201; preciso que criemos uma maneira de direcionar esse desejo para a constru&#231;&#227;o de um futuro e n&#227;o para reconstru&#231;&#227;o de um passado. Caso contr&#225;rio, viver ser&#225; uma esp&#233;cie de pris&#227;o em si mesmo, na qual estar&#237;amos condenados a pena m&#225;xima de vivermos toda a vida em um descompasso com o tempo. Am&#233;lia, tamb&#233;m personagem de <strong>&#8220;Um dia chegarei a Sagres&#8221;</strong>, encorpora na narrativa o oposto de Mateus, este que carrega as mem&#243;rias como um tesouro envenenado. Am&#233;lia, detentora de uma hist&#243;ria vilipendiada, recusa-se, ap&#243;s miser&#225;vel liberta&#231;&#227;o, proseguir seus dias futuros tentando reparar um passado terr&#237;vel, sua d&#225;diva &#233; o hoje, sua esperan&#231;a est&#225; no por vim ao qual caminha. Conta sua hist&#243;ria a Mateus apenas uma vez e lhe diz irredut&#237;vel, relata-nos Mateus:</p><blockquote><p><em>&#8220;Am&#233;lia dissera-me que n&#227;o voltasse a question&#225;-la mesmo quando tivesse d&#250;vidas. O que me contara era a vers&#227;o &#250;nica de sua miser&#225;vel hist&#243;ria. Se algo mais adicionasse, talvez falsificasse, estaria atenuando sua imensa dor.<br>(&#8230;)<br>&#8212; Tudo que sei de mim eu lhe contei. O resto eu esque&#231;o. Foi para seguir viva.&#8221;</em></p></blockquote><p><strong>Percebam que o esquecimento exercido por Am&#233;lia n&#227;o &#233; um esquecimento que apaga o passado, todavia, um esquecimento ativo que nega aos atos de viol&#234;ncia sofridos o direito de ocupar espa&#231;o e de limitar sua vontade de viver. Am&#233;lia esquece como quem diz: isso, eu carrego, mas n&#227;o permito que pese.</strong></p><p>Coincidentemente, o ano de lan&#231;amento deste &#250;ltimo romance de N&#233;lida, publicado ainda em vida, 2020, fora o mesmo ano no qual uma onda de protestos, em indigna&#231;&#227;o ao nefasto assassinato de George Floyd por uma a&#231;&#227;o policial agressiva e completamente desnecess&#225;ria, chamou aten&#231;&#227;o do mundo. A emerg&#234;ncia desses protestos a partir do movimento antirracista <em>Black Lives Metter</em> geraram uma grande controv&#233;rsia, pois, durante os atos p&#250;blicos, os manifestantes derrubaram monumentos ligados &#224; escravid&#227;o e ao colonialismo. As discuss&#245;es giraram em torno de se tais atos eram leg&#237;timos ou simples vandalismo.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ae358dc1-d1d0-47f2-add2-d4fb081becd4_1000x667.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fb829f89-6bad-4362-a815-27411cfb9c2d_1000x667.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2f314cac-9ded-4682-aac3-2a623dbcdfe1_1000x667.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Imagens retiradas de uma mat&#233;ria do portal do g1.&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c740b46f-d3ac-4353-bd2a-7950015155e4_1456x474.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Ora, o que se esperar de uma sociedade racista? Diante da revolta daqueles que acompanham os seus serem mortes impunimente dia ap&#243;s dia, pedir-lhes que gritem baixo, n&#227;o se excedam, devolvam a viol&#234;ncia com amor, &#233; o mesmo que cinicamente dizer: mas por que a indignia&#231;&#227;o? O rev&#243;lver ainda n&#227;o est&#225; mirando em voc&#234;. <strong>Em momentos de desespero como aquele &#233; preciso que consintamos mesmo sem concordar. Afinal, que &#233; uma, duas, tr&#234;s est&#225;tuas frente a milhares de corpos roubados, traficados, violentados e abatidos?</strong></p><p>Em um segundo momento, depois que os &#8220;cale-ses&#8221; de sangue estiverem derramados, podemos conjuntamente problematizar o que fazer com a mem&#243;ria de uma na&#231;&#227;o. Mateus, j&#225; idoso, descobre que seu her&#243;i participara do tr&#225;fico de escravizados, decepcionado e envergonhado por ter enaltecido anos a fio uma figura degradante se questiona: &#8220;Que fazer com nossos mitos?&#8221; <strong>Tomando o ensejo, complemento: Ser&#225; que a destrui&#231;&#227;o dos lembretes de um passado terr&#237;vel &#233; eficiente para alterar o presente? Apagar o passado &#233; condi&#231;&#227;o de construir um futuro melhor?</strong> Creio que n&#227;o. A hist&#243;ria est&#225; a&#237; para que n&#227;o a repitamos, na condi&#231;&#227;o de n&#227;o apag&#225;-la, por&#233;m. Os museus podem ser retratos das mais belas cria&#231;&#245;es humanas, igualmente tamb&#233;m retratos de suas maiores desgra&#231;as. Aqui, me utilizo de um verbo t&#227;o maltratado nos &#250;ltimos anos: resignificar. Me parece que a constru&#231;&#227;o de um futuro diferente do passado consiste em resignific&#225;-lo. Manter os monumentos com novas descri&#231;&#245;es, contar a hist&#243;ria com novos nomes, disignar, o que outrora fora tido como her&#243;ico e dabravador, como invasor, colonizador e escravocrata. <strong>Nesse ponto, Am&#233;lia pode nos ensinar uma postura &#233;tica essencial, contar a hist&#243;ria miser&#225;vel sem falsificar ou atenuar a dor. E ativamente poder criar maneiras de esquecer como extra&#231;&#227;o de peso para que o passado n&#227;o seja um fardo.</strong></p><p>Por isso, sim, que esque&#231;amos, que n&#227;o apaguemos, no entanto. Convertamos tais arquivos sombrios em <em>.rar</em>, retiremos-lhes seu tamanho, seu peso. Para que ent&#227;o alarguemos nossa mem&#243;ria em prol de registrarmos novas experi&#234;ncias, decididos a n&#227;o nos entregarmos a nossa tend&#234;ncia saudosista por algo cujo nunca existiu, nem existir&#225;: o id&#237;lico para&#237;so. </p><p>Sigamos esquecendo e criando.</p><p>Atenciosamente,<br>Jos&#233; Andserson</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/elogio-ao-esquecimento/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/elogio-ao-esquecimento/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Nem neuróticos, nem psicóticos, nem perversos: o natural é que fôssemos bichos selvagens grunhindo palavra alguma]]></title><description><![CDATA[embora toda a cr&#237;tica lacaniana quanto ao biologicismo freudiano, os pr&#243;prios psicanalistas parecem nutrir um fetiche catalogr&#225;fico a partir das categorias cl&#237;nicas como sendo nossa taxonomia]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/nem-neuroticos-nem-psicoticos-nem</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/nem-neuroticos-nem-psicoticos-nem</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Wed, 04 Feb 2026 17:40:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NKZd!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffec6058a-852a-40bc-a04c-a3d80f6b254b_736x480.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#201; comum ouvir de um psicanalista lacaniano que <em><strong>Lacan despatologiza a cl&#237;nica psicanal&#237;tica</strong></em>. Uma vez que sua leitura de Freud e constru&#231;&#227;o de sua teoria nos leva a pensar o diagn&#243;stico sob a &#243;tica de uma estrutura&#231;&#227;o de enodamento Real, Simb&#243;lico e Imagin&#225;rio (seus tr&#234;s registros psiqu&#237;cos que coordenam a experi&#234;ncia subjetiva de cada pessoa) cujo prima sobre os fen&#244;menos cl&#237;nicos. <em><strong>Isto &#233;, que neurose, psicose e pervers&#227;o, s&#227;o maneiras estruturais que alicer&#231;am a forma como cada sujeito &#233; inscrito na linguagem e que ditam-lhe a l&#243;gica poss&#237;vel de experienciar estar na vida consigo mesmo e com o outro</strong></em>, este &#250;ltimo em suas variadas formas de se pensar. Uma inscri&#231;&#227;o ou outra na linguagem depender&#225; de como os elementos necess&#225;rios, dispostos ou n&#227;o, rejeitados ou n&#227;o, para a constitu&#237;&#231;&#227;o dos sujeitos interagiram entre si, <em><strong>pondo em evid&#234;ncia que a inscri&#231;&#227;o no campo do Outro ocorre-nos a nossa revelia</strong></em>. Impondo-nos, assim, ter de repensar aquilo que Freud chamou de &#8220;escolha inconsciente&#8221;, ou seja, que em alguma medida poder&#237;amos escolher se neur&#243;ticos, psic&#243;ticos ou perversos. Poder&#237;amos, claro, interpretar que a predica&#231;&#227;o &#8220;inconsciente&#8221; da escolha conota a algo involunt&#225;rio, mas a tradi&#231;&#227;o p&#243;s-freudiana n&#227;o o fez assim. Tal concep&#231;&#227;o levou a outros impasses como o tema da liberdade e do gozo encarados por um vi&#233;s moralista, normativo e culpabilizador.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp" width="600" height="315" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:315,&quot;width&quot;:600,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:21026,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/webp&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/i/186414826?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!4zjh!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c775973-5759-4cc9-95a4-2bfaaeb4498a_600x315.webp 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Foi nesse tipo de coisa que Freud se tornou. Absurdo! Uma frase atribu&#237;da a ele, mas que n&#227;o h&#225; referencial algum. Ele nunca disse, mas deu margem para assim ser interpretado.</figcaption></figure></div><p>A forma estuturalista de Lacan pensar despatologiza a cl&#237;nica porque j&#225; n&#227;o falamos mais de doen&#231;a ou transtorno &#8212; menos ainda de escolha deliberada &#8212; mas, sim, de estruturas de discurso, ou seja, <em><strong>falamos de como cada sujeito dir&#225; de si por meios limitados por sua pr&#243;pria inscri&#231;&#227;o no campo do Outro, que &#233; a linguagem, ela que, de modo geral, constitui o mundo que nos antecedeu</strong></em>. Aqui, me parece, est&#225; a espinha dorsal da cr&#237;tica lacaniana ao equ&#237;voco da no&#231;&#227;o de naturalidade. Percebam que estamos falando de linguagem, discurso, fala. Campo esse totalmente anatural ao humano. <em><strong>Podemos brincar com a formula&#231;&#227;o de Simone de Bouvoir: N&#227;o se nasce falando, aprende-se a falar. Mais ainda, recorrendo ao texto &#8220;A significa&#231;&#227;o do falo&#8221; presente nos &#8220;Escritos&#8221; de Lacan, &#233;-se submetido a necessidade de falar porque o outro fala a mim, porque do Outro vem o que falam de mim</strong></em>. Da&#237; sermos sujeitos, de sujeitados a uma estrutura, a lei e ao desejo do Outro. Se deixarmos um rec&#233;m nascido, mesmo que alimentando-o para manter-se vivo, alheio a um contato com um cuidador que fale com ele, que o embale afetuosamente, veremos que morerr&#225; sem que, ao menos, arrisque-se podermos ouvir um &#8220;Ai!&#8221; advindo de sua boca. Como sei disso? Atribu&#237;-se ao imperador Frederico II do Sacro Imp&#233;rio Romano-Germ&#226;nico (s&#233;culo XIII) um tr&#225;gico experiemento. <em><strong>Motivado pela curiosidade em saber qual a l&#237;ngua natural do ser humano, se o hebraico, grego ou latim, ordenou que se seguisse um experiemento conforme descrito anteriormente. O final foi a morte de todos os beb&#234;s e nenhuma lingua natural foi encontrada</strong></em>. H&#225; controv&#233;rsias quanto ao experiemento, alguns apontam a possibilidade de um exagero narrativo de motiva&#231;&#245;es pol&#237;ticas para pintar uma imagem cruel do imperador. Apesar disso serve-nos como um exemplo. Se a fala fosse natural, haveria uma certa idade que simplesmente se falaria, assim como se &#233; determinado um tempo biol&#243;gico m&#237;nimo para os org&#227;os funcionarem como se devem, isso ocorre sozinho, o cora&#231;&#227;o bate porque bate. Meus rins n&#227;o filtram, reabsorvem nutrientes e excretam subt&#226;ncias t&#243;xicas porque o outro tem rins que assim o fazem. Mas falamos pura e simplesmente porque o outro fala. <em><strong>Se o principal meio pelo qual n&#243;s participamos do la&#231;o social n&#227;o &#233; natural, como dizer que haveria uma forma poss&#237;vel de naturalidade, uma norma de ser, em um registro totalmente artificial?</strong></em></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qIgx!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0b79e581-21a2-4aa8-9659-36fa94fdfcad_347x520.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qIgx!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0b79e581-21a2-4aa8-9659-36fa94fdfcad_347x520.jpeg 424w, 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pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Somos feitos de palavras advindas do Outro.</figcaption></figure></div><p>Dito isso, dizer que Lacan despatologiza a cl&#237;nica psicanal&#237;tica n&#227;o &#233; o mesmo que dizer que ele ent&#227;o normatizou as formas estruturais de experienciar a vida. <em><strong>A revolu&#231;&#227;o lacaniana &#233;, ao meu ver, no bojo da despatologiza&#231;&#227;o das estruturas diagn&#243;sticas, levar a psican&#225;lise a desnaturalizar a neurose, desenlouquecer a psicose e desmoralizar a pervers&#227;o</strong></em>. Com isso, quero dizer, que embora as estruturas cl&#237;nicas organizadas a partir de Lacan n&#227;o sejam doen&#231;as no sentido moderno compreendido pelo saber m&#233;dico geral e transtornos mentais compreendido pelo saber psiqui&#225;trico, as estruturas cl&#237;nicas n&#227;o s&#227;o naturais. A anaturalidade de algo n&#227;o implica necessariamente uma patologia. <em><strong>O que &#233; considerado natural socialmente &#233;, sobretudo, uma conven&#231;&#227;o que tem mais que ver com crit&#233;rios culturais, como o senso est&#233;tico, por exemplo, e pol&#237;ticos</strong></em>. Vladimir Safatle em uma fala para o Caf&#233; filos&#243;fico, grava&#231;&#227;o dispon&#237;vel no Youtube (<a href="https://youtu.be/AWzdIDOzCyY?si=CDrM1xhSx32zgelx">clique aqui para assistir</a>), nos primeiros minutos de explana&#231;&#227;o j&#225; nos mostra como os marcadores cl&#237;nicos incorporados pela medicina psiqui&#225;trica &#8212; incluo aqui algumas linhas te&#243;ricas da psicologia embora ele n&#227;o as cite &#8212; para as defini&#231;&#245;es de sa&#250;de e doen&#231;a dizem respeito a no&#231;&#245;es de equil&#237;brio, simetria e propor&#231;&#227;o, medidores profundamente est&#233;ticos oriundo dos gregos. Ora, podemos ver claramente seu desdobramento quando se descreve, atualmente, a causa de um transtorno psiqui&#225;trico: o <em><strong>desequil&#237;brio</strong></em> dos neurotransmissores, sua <em><strong>assimetia, desproporcionalidade</strong></em>. Outros balizadores de sa&#250;de e doen&#231;a citados por Safatle &#233; o <em><strong>controle</strong></em>, a <em><strong>hierarquia</strong></em> e a <em><strong>ordem</strong></em>, no sentido de saber controlar, hierarquizar e ordenar suas vontades. Foucault j&#225; denunciou extensamente como <em><strong>o controle &#233; uma forma pol&#237;tica de governar</strong></em>. Diante de uma compul&#231;&#227;o, n&#227;o raro, ouve-se: &#233; preciso aprender a <em><strong>controlar </strong></em>essa vontade, &#233; preciso <em><strong>ordenar hierarquicamente</strong></em> suas vontades, se voc&#234; quer emagrecer, o desejo de comer tem que ser <em><strong>controlado</strong></em>, estar abaixo do desejo de emagrecer, de ser saud&#225;vel.</p><p>Ao que toca o ser humano, nada &#233; natural. Insisto: dizer-se neur&#243;tico n&#227;o &#233; dizer-se doente, dizer-se psic&#243;tico n&#227;o &#233; dizer-se louco, dizer-se perverso n&#227;o &#233; dizer-se mal&#237;gno, mas tamb&#233;m n&#227;o &#233;, em nenhum dos casos, dizer-se normal. <em><strong>Entretanto, embora toda a cr&#237;tica lacaniana quanto ao biologicismo freudiano, os pr&#243;prios psicanalistas parecem nutrir um fetiche catalogr&#225;fico a partir das categorias cl&#237;nicas como sendo nossa taxonomia e reduzindo as estruturas a marcadores identit&#225;rios, tal qual o senso comum se utiliza dos diagn&#243;sticos psiqui&#225;tricos listados no DSM-V</strong></em>. Muito frequentemente, n&#243;s analistas, nos auto diagnosticamos. Uma vez que a pr&#225;tica anal&#237;tica, ao menos as que conhe&#231;o e pratico, n&#227;o usa a <em><strong>hip&#243;tese diagn&#243;stica</strong></em> para outra coisa sen&#227;o para tra&#231;ar manejos para a dire&#231;&#227;o do tratamento. <a href="https://www.instagram.com/gabriellabertanhapsi">Gabriela Bertanha</a>, psicanalista admirada e, com felicidade, estimada amiga, trouxe uma reflex&#227;o muito importante no grupo de estudos que coordeno toda quarta-feira &#224;s 9h dedicado aos textos dos &#8220;Escritos&#8221; (<a href="https://chat.whatsapp.com/FqyeT6eRbdk937IkZBtpRF">solicitar acesso: &#233; gratuito</a>), sua fala chamou nossa aten&#231;&#227;o a um fato comum quando ouvimos outros colegas enquanto supervisionandos: A urg&#234;ncia em classificar o analisante em uma das categorias cl&#237;nicas. <em><strong>A hip&#243;tese diagn&#243;stica &#233; fundamental para a dire&#231;&#227;o do tratamento, no entanto, para elabor&#225;-la eticamente e justific&#225;-la te&#243;ricamente, isto &#233;, com rigor conceitual sobre o saber que orienta nossa pr&#225;tica, muitos outros elementos s&#227;o necess&#225;rios de se apreender no texto que o analisante nos entrega, por exemplo: algo j&#225; foi elevado ao estatuto de significante S1 - S2? Qual a rela&#231;&#227;o desse ou desses significantes na hist&#243;ria/mito do sujeito? Qual rela&#231;&#227;o com o Outro? H&#225; transfer&#234;ncia? H&#225; produ&#231;&#227;o de met&#225;foras no sentido lacaniano? Qual o sintoma? Qual a din&#226;mica f&#225;lica? Essas s&#227;o algumas perguntas que ao meu ver antecedem uma aposta diagn&#243;stica bem fundamentada sem abster-se da possibilidade do equ&#237;voco</strong></em>. Como j&#225; dito anteriormente, o diagn&#243;stico na cl&#237;nica lacaniana &#233; &#250;til apenas ao analista, n&#227;o serve de nada ao analisante. Assim, ao analisante n&#227;o &#233; comunicado sobre sua suposta estrutura cl&#237;nica. Dessa forma, se as frases: &#8220;Ah, &#233; que minha histeria&#8230;&#8221;, &#8220;Minha obsess&#227;o n&#227;o me deixa&#8230;&#8221;, &#8220;Nossa, quase psicotizei com&#8230;&#8221;, &#8220;Meu tra&#231;o de pervers&#227;o&#8230;&#8221; n&#227;o surgirem dentro de um contexto no qual se tira sarro de si mesmo, sinceramente, estamos no mesmo n&#237;vel daqueles que classificam todos que se olham no espelho por mais de 10min como narcisista e qualquer crian&#231;a desaforada, &#8220;maluvida&#8221; como TOD. Um exemplo muito recente, ocorreu com um dos participantes do Big Brother Brasil. O participante teve v&#225;rias atitudes minimamente duvidosas no que toca ao seu car&#225;ter, at&#233; que n&#227;o tardou para tomar uma atitude criminosa: ass&#233;dio a uma participante mulher em um ambiente sem c&#226;meras. Ocorrido que culminou em sua desist&#234;ncia do reality. Ser&#225; que ele sabia que estava sem c&#226;mera ou mesmo havendo isso n&#227;o seria suficiente para imped&#237;-lo?</p><p>Antes do lament&#225;vel ocorrido, aqui fora, o p&#250;blico j&#225; vinha relatando supostas ocorr&#234;ncias duvidosas e criminosas desse homem. Pronto, foi o bastante para haver uma enxurrada de v&#237;deos e posts tipo carrossel nas principais redes sociais diagnosticando o tal <em><strong>agente de um ato criminoso</strong></em> como narcisista e perverso, na lista de usu&#225;rios encontr&#225;va-se psic&#243;logos e <em><strong>psicanalistas</strong></em>. <em><strong>Quer dizer, ao inv&#233;s de se encabe&#231;ar uma discuss&#227;o pol&#237;tica sobre a vulnerabilidade das mulheres &#224; situa&#231;&#245;es de todo tipo de viola&#231;&#227;o de seu corpo na sociedade, n&#227;o sendo seguro a elas at&#233; mesmo dentro de uma casa extremamente vigiada por c&#226;meras 24h por sete dias da semana, o que foi levantado foi uma discuss&#227;o extremamente rasa, obviamente, sobre uma pseudopsicopatologia</strong></em>. Freud em 1901 j&#225; se utilizava de nossa tend&#234;ncia fetichista de catalografar o outro quando escolhe publicar seu texto com o t&#237;tulo &#8220;<em><strong>Psicopatologia</strong></em> da vida cotidiana&#8221;, ele sabia como chamar aten&#231;&#227;o para suas descobertas embora tenha frustrado muitos leitores por n&#227;o encontrarem a superficialidade que buscavam. Todavia ver psicanalistas, hoje, nadarem de bra&#231;adas nesses erros me revolta demais, me entristesse profundamente, &#233; de cair o c&#250; das cal&#231;as, &#233; uma derrota &#8212; em todos os sentidos. O que aponta, n&#227;o podemos negar, para a quest&#227;o sobre a forma&#231;&#227;o dos psicanalistas, mas tamb&#233;m para a forma&#231;&#227;o dos psic&#243;logos, pois nesse caso ter um diploma n&#227;o os eximiu do mesmo erro e falta de &#233;tica. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NKZd!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffec6058a-852a-40bc-a04c-a3d80f6b254b_736x480.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NKZd!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffec6058a-852a-40bc-a04c-a3d80f6b254b_736x480.jpeg 424w, 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pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Eu em qualquer um dos posts citados acima.</figcaption></figure></div><p><em><strong>Se me fa&#231;o entender, essa reflex&#227;o n&#227;o nega a despatologiza&#231;&#227;o cl&#237;nica capitaniada por Lacan, mas critica a ideia de que poder&#237;amos dizer que &#233; normal ser neur&#243;tico, psic&#243;tico ou perverso, pois me parece afastar-se da radicalidade proposta por Lacan</strong></em>. At&#233; porque o pr&#243;prio &#8220;normal&#8221; j&#225; foi criticado e pensado como uma categoria patol&#243;gica pelo psicanalista Joyce McDougall, a chamada normalopatia ou normopatia, disignando os sujeitos que se apresentam com &#8220;aus&#234;ncia de conflitos ps&#237;quicos profundos e r&#237;gida obedi&#234;ncia a normas sociais&#8221;, uma vez que abdica de sua individualidade para facilmente participar de um grupo, engendra-se rapidamente em uma l&#243;gica de vida operacional e acr&#237;tica. At&#233; mesmo o normal n&#227;o &#233; normal. <em><strong>Se poderia haver alguma naturalidade no &#226;mbito humano, essa ficou anterior ao advento que nos apartou dela, o surgimento da linguagem</strong></em>. Acontecimento comparado ao Big bang por Alfredo Eidelsztein no seu ensaio &#8220;A origem do sujeito&#8221;. &#201; um consenso entre os f&#237;sicos, que aceitam tal teoria, de que n&#227;o &#233; poss&#237;vel pensarmos numa realidade anterior a grande explos&#227;o, se n&#227;o por via de conjecturas te&#243;ricas que justificam tal acontecimento restrospectivamente, neste caso, a ocorr&#234;ncia de uma singularidade, isto &#233;, instante no qual a curvatura, densidade e gravidade tornam-se infinitas, relegando nossos entendimentos mais avan&#231;ados da f&#237;sica que rege nossa compreens&#227;o da realidade &#224; falha. <em><strong>Outrossim acorrre com a ideia de pensarmos uma realidade anterior a linguagem, nos &#233; imposs&#237;vel, n&#227;o temos outro instrumento que n&#227;o a linguagem para falarmos de qualquer que seja o assunto, at&#233; mesmo uma realidade pr&#233;via a linguagem, da&#237; a afirma&#231;&#227;o lacaniana de n&#227;o haver metalinguagem ou, em lacan&#234;ns, um Outro do Outro</strong></em>.</p><p>Dessa maneira, podemos sustentar que nada posterior a linguagem &#233; natural, j&#225; que a adquirimos for&#231;adamente, mesmo sendo algo necess&#225;rio a nossa sobreviv&#234;ncia, n&#227;o como seres biol&#243;gicos, mas como seres sociais e ps&#237;quicos. Toda predica&#231;&#227;o a n&#243;s feita pelo outro ou por n&#243;s mesmos &#233; artificial. <em><strong>Quando dizemos eu sou neur&#243;tico, o que isso quer dizer? Que fa&#231;o parte de um grupo normal? Contudo, segundo Joyce McDougall, o sujeito designado normal &#233; normalopata e n&#227;o possui conflito ps&#237;quico e desde Freud a neurose &#233; sustentada por um conflito</strong></em>. Percebem como essa maneira de pensar &#233; pouco inteligente? Ademais, negligencia o car&#225;ter pol&#237;tico dessa condi&#231;&#227;o de normalidade, sendo ela o prot&#243;tipo perfeito da profunda aliena&#231;&#227;o ao trabalho em uma sociedade neoliberal.</p><blockquote><p><strong>Por isso, nem neur&#243;ticos, nem psic&#243;ticos, nem perversos: o natural &#233; que f&#244;ssemos bichos selvagens grunhindo palavra alguma</strong>.</p></blockquote><p>Portanto, sigamos pensando criticamente nossa pr&#225;xis, seguindo o conselho de Lacan, empenhando-nos <em><strong>a alcan&#231;ar em nosso horizonte a subjetividade de nossa &#233;poca</strong></em>, n&#227;o obstante atentos <em><strong>a espiral a que </strong></em>nos<em><strong> arrasta </strong></em>nossa<em><strong> &#233;poca na obra cont&#237;nua de Babel, e que </strong></em>conhe&#231;amos<em><strong> </strong></em>nossa<em><strong> fun&#231;&#227;o de int&#233;rprete na disc&#243;rdia das l&#237;nguas</strong></em>, a saber, n&#227;o corresponder &#224;s demandas que nos direcionam as idiossincrasias de nosso tempo, mas interpret&#225;-las.<em><strong> O normal &#233; nada ser.</strong></em></p><p>Sigam bem e anormais.</p><p>Atenciosamente,<br>Jos&#233; Anderson.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/nem-neuroticos-nem-psicoticos-nem/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/nem-neuroticos-nem-psicoticos-nem/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Compartilhar tu n&#227;o te moves de ti</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#1 janeiro, 2026. "para frente tudo anterior também".]]></title><description><![CDATA[Um projeto de di&#225;rio em v&#237;deo que n&#227;o busca utilidade alguma]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/1-janeiro-2026-para-frente-tudo-anterior</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/1-janeiro-2026-para-frente-tudo-anterior</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Wed, 28 Jan 2026 23:29:19 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TZVh!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc3f0e8b8-fb7f-48ff-8317-6f30728173b8_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TZVh!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc3f0e8b8-fb7f-48ff-8317-6f30728173b8_1280x720.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TZVh!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc3f0e8b8-fb7f-48ff-8317-6f30728173b8_1280x720.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TZVh!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc3f0e8b8-fb7f-48ff-8317-6f30728173b8_1280x720.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TZVh!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc3f0e8b8-fb7f-48ff-8317-6f30728173b8_1280x720.png 1272w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><strong>PARA ASSISTIR AO V&#205;DEO: <a href="https://youtu.be/yBqTr8BO6dg?si=pWWRX2uk-sC2uzMW">CLIQUE AQUI!</a></strong></figcaption></figure></div><p>Ol&#225;, pessoal. </p><p>Se voc&#234;s leram o texto de apresenta&#231;&#227;o dessa newsletter (&#8220;<a href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/como-surgiu-a-tu-nao-te-moves-de">Como surgiu a &#8220;tu n&#227;o te moves de ti?&#8221;</a>) j&#225; devem saber como me irrita a l&#243;gica vertical de conte&#250;dos acelerados, com &#8220;ganchos&#8221; infinitos para prender a aten&#231;&#227;o e quanto menor for, melhor para garandir engajamento &#8212; uma m&#233;trica que no m&#237;nimo &#233; contradit&#243;ria. Me explico: como pode ser valorizado e desejado um dado que diz o quanto seus expectadores s&#243; te assistem porque &#233; garantido que ele s&#243; precisar&#227;o te ouvir ou ver por no m&#225;ximo 3/4min e olhe l&#225;&#8230; porque pode ser que nem isso, que talvez s&#243; estejam dispostos a te ver e ouvir por 1min30s? Quer dizer, &#233; um dado que mais mostra o qu&#227;o pouco estamos engajados no que consumimos que o contr&#225;rio. O que chamam de &#243;timas m&#233;tricas de engajamento s&#227;o, para mim, a prova do quanto as pessoas est&#227;o desinteressadas no que voc&#234; pode trocar com elas. O que chamam de engajamento &#233; um sintoma muito esp&#233;cifico da nossa contemporaneidade: n&#227;o perder tempo com nada, pois h&#225; sempre uma outra coisa melhor para ver. Se quem te assiste, o faz porque voc&#234; fala pouco, r&#225;pido e tenta constantemente n&#227;o ser tedioso, ser&#225; mesmo que est&#227;o al&#237; por voc&#234;?</p><p>Esse canal no Youtube &#233; mais um cap&#237;tulo dessa newsletter. Eu gostaria muito de ser lido, de falar algo realmente interessante para algu&#233;m, mas na maioria do tempo sinto que estou falando sozinho&#8230; n&#227;o, falando comigo mesmo. Eu fiz as pazes com isso. Mas, ainda assim, desejo continuar escrevendo e falando &#8212; sabe aquela for&#231;a estranha e tamanha que levou a Gal a cantar? J&#225; ouviram essa? (<a href="https://open.spotify.com/track/6sKopGG4r21ObTE8V6pD6x?si=PDJXaSDQTZaPl7M4aCOc2g">Clique aqui para ouvir</a>) Pois ent&#227;o, &#233; essa for&#231;a estranha e tamanha que me leva a continuar. O canal no Youtube tamb&#233;m n&#227;o pretende primariamente engajamento, crescimento, likes e coment&#225;rios, &#233; &#243;bvio que seria incr&#237;vel se qualquer uma dessas coisas acontecessem, se n&#227;o acontecer, por&#233;m, estou em paz com isso, porque &#233; pela for&#231;a estranha e tamanha. Eu n&#227;o me contenho em mim &#8212; voc&#234;s sentem isso tamb&#233;m? &#201; estranho, n&#227;o &#233;? </p><p>L&#225; no texto de apresenta&#231;&#227;o, eu cito a exist&#234;ncia desse canal, agora escrevo que ele est&#225; vivo, como Victor Frankenstein anuncia o levante de sua coisa: &#8220;It&#8217;s alive! It&#8217;s alive!&#8221; O primeiro v&#237;deo de 12 outros, no m&#237;nimo, ou seja, um v&#237;deo mensal ao longo do ano de 2026, &#233; o primeiro dessa esp&#233;cie de di&#225;rio, no qual eu mostro um pouco do meu m&#234;s: o que eu fiz, para onde eu fui, o que eu li, o que ouvi e assisti. Por&#233;m, nada ser&#225; programado para ser feito, ou seja, nada disso ser&#225; feito para ter o que se gravar, dito de novo, ser&#225; gravado porque eu fiz, n&#227;o ser&#225; feito para ser gravado. A &#250;nica coisa artificial nos v&#237;deos ser&#225; sua montagem, como irei fazendo as cenas aleatoriamente ao longo do m&#234;s, ao final dele, terei que compilar todas as cenas em um sentido l&#243;gico de progress&#227;o. Por que? Porque eu quero. Porque eu gosto de trabalho de edi&#231;&#227;o, do tratar a imagem, do audiovisual como um todo. Antes de ser zootecnista e abandon&#225;-la, cogitei a publicidade e propaganda &#8212; acreditam? Na minha an&#225;lise, pensei que, enfim, retornaria a essa paix&#227;o e finalmente seguiria rumo a essa nova forma&#231;&#227;o. N&#227;o rolou. A publicidade e propaganda era o rastro para o audiovisual, especificamente, voltar a me divertir produzindo v&#237;deos &#8212; serei ousado, admito &#8212; cinematogr&#225;ficos. Eu mesmo acho gra&#231;a disso, somos realmente rid&#237;culos. Voc&#234;s n&#227;o acham? O que no m&#225;ximo consigo fazer &#233; um &#8220;vlog&#8221; meia boca. Mentira, eu acho foda.</p><p>O fato &#233; que eu gosto da arte, a fotografia foi um primeiro passo. No ensino m&#233;dio, na &#233;poca, o &#8220;bum!&#8221; era o &#8220;Tumblr&#8221;, o &#8220;VSCOcam&#8221; e eu estava l&#225;, escrevendo e fotografando. Os v&#237;deos ainda n&#227;o eram divulgados por vergonha. Mas agora, como j&#225; n&#227;o h&#225; a expectativa de que disso algo seja validado, algo resulte em qualquer outra coisa que n&#227;o a minha divers&#227;o com o processo, os v&#237;deos ser&#227;o publicados. Repito: gostaria muito que cheguem espectadores, mas, sinceramente, sua poss&#237;vel aus&#234;ncia n&#227;o ter&#225; peso algum sobre a continuidade. Essa newsletter, esse canal s&#227;o primariamente feitos para mim e gostaria de compartilhar com que estiver genuinamente interessado.</p><p>Meu &#250;ltimo texto (<a href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/deus-me-livre-de-querer-curar-alguem">&#8220;Deus me livre de querer curar algu&#233;m!&#8221;</a>) , recebi ont&#233;m essa not&#237;cia, ajudou uma colega a pensar umas quest&#245;es em sua cl&#237;nica, isso foi incr&#237;vel, fiquei extremamente feliz com essa devolutiva. &#201; muito satisfat&#243;rio perceber que o que voc&#234; primeiro pensa, depois fala ou escreve possa provocar algo ben&#233;fico em algu&#233;m. Espero que aqueles que assistirem aos v&#237;deos possam ser tocados em algo de forma ben&#233;fica tamb&#233;m.</p><p>Ent&#227;o, convido voc&#234;s a se inscreverem e assistirem esse primeiro v&#237;deo. 59min de um m&#234;s de 31 dias &#233; muito pouco, convenhamos. Bom, acho que &#233; isso&#8230;</p><p>Fiquem bem,<br>qualquer coisa v&#227;o falando &#8212; risos!</p><p>Atenciosamente,<br>Jos&#233; Anderson.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler tu n&#227;o te moves de ti! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Deus me livre de querer curar alguém!]]></title><description><![CDATA[A psican&#225;lise enquanto uma experi&#234;ncia de transforma&#231;&#227;o]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/deus-me-livre-de-querer-curar-alguem</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/deus-me-livre-de-querer-curar-alguem</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Tue, 27 Jan 2026 11:03:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/eba5a340-d41f-46d6-88b8-6cf0401dedfe_1200x628.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Em psican&#225;lise, talvez esteja sendo hiperb&#243;lico, perguntar &#8220;O que &#233; a cura?&#8221; est&#225; no mesmo n&#237;vel de perguntas como &#8220;O que &#233; a vida?&#8221; ou &#8220;O que &#233; a felicidade?&#8221; no &#226;mbito filos&#243;fico. Embora tenhamos claros, n&#243;s, analistas &#8212; quero eu crer &#8212; os impasses que residem sobre a diverg&#234;ncia entre o estatuto da cura na psican&#225;lise e seu estatuto no saber m&#233;dico, esse &#250;ltimo que &#233; basicamente o capilarizado secularmente e compreendido no cotidiano do &#8220;homem comum&#8221;, a saber, a cura como o pleno funcionamento normativo do corpo e seus componentes biol&#243;gicos e da mente e seus componentes psiquicos, n&#227;o raro, obviamente, recobridos pelos mantos da obviedade corriqueira de que n&#227;o haveria diferen&#231;a alguma entre as epistemes fundacionais desses dois paradigmas, os candidatos a analisantes nos chegam justamento demandando a cura de natureza m&#233;dica, podemos dizer at&#233; que s&#243; chegam a um consult&#243;rio de psican&#225;lise, a priori, apenas por ela: a cura que tornar&#225; tudo como era antes, que restaurar&#225; o pleno funcionamento de minha vida. E, como bons analistas, n&#227;o dever&#237;amos recuar diante da tarefa de arrancar esse manto por completo, embora seja aconselh&#225;vel que o arranquemos aos poucos. Afinal, s&#243; se deseja livrar-se de algo quando j&#225; n&#227;o nos serve para nada. Ser&#225;?</p><p>Entretanto, quais s&#227;o os impasses que se encontraria no desejo de cura daqueles que a buscam para eliminar um sofrimento que de t&#227;o insuport&#225;vel paralizou sua vida? Ora, a priori, rapidamente, podemos responder que n&#227;o h&#225; impasse algum. Inclusive, &#233; totalmente leg&#237;timo essa busca, esse desejo de cura. Um bom analista saber&#225; acolher tal pedido sem que necessariamente tente atend&#234;-lo como um outro profissional da sa&#250;de o faria. Dito isso, tomemos o impasse maior: sermos humanos, seres falantes, munidos de contradi&#231;&#227;o. Somos capazes de odiar nosso sofrimento, mas de amarmos sua causa. Podemos odiar a dor nos p&#233;s que duram horas ap&#243;s o uso de um par de sapatos, ao passo que o amamos por termos um grande apre&#231;o emocional por eles; n&#227;o conhe&#231;o quem n&#227;o odeie a terr&#237;vel ressaca ap&#243;s uma noitada, mas talvez seja incont&#225;vel aqueles que est&#227;o dispostos a repet&#237;-la porque amam a sensa&#231;&#227;o da embriaguez &#8212; n&#227;o falo especificamente dos ad&#237;ctos, nesses h&#225; uma outra din&#226;mica. <strong>Na pressa de tudo resolver, pode-se pensar que o problema &#233; o sapato e negligenciar que para aquela pessoa ele &#233; o &#250;ltimo e &#250;nico elo com a nostalgia de um tempo em que se crer ter sido completamente feliz, ou at&#233;, a &#250;nica forma tang&#237;vel de sentir-se acompanhada pela figura de uma av&#243; t&#227;o amada que deixou uma devasta&#231;&#227;o ap&#243;s sua morte; outrossim determinar que se parar de beber tudo se aprumar&#225; no dia subsequente &#224; farra, sem dar a dignidade de uma escuta atenta &#224;quele que guarda em si uma decep&#231;&#227;o antiga e opressora, ou ainda, que podado por uma exaustiva jornada de trabalho, &#224;quele sujeito, n&#227;o resta tempo para quaisquer outro lazer ou relaxamento sen&#227;o a certa suspens&#227;o das tens&#245;es e dores de seu corpo atrav&#233;s da int&#243;xica&#231;&#227;o por &#225;lcool.</strong> O que aconteceria se, ao localizarmos as causas, ou supostas causas, dos sofrimentos dos analisantes, impus&#233;ssemos seu abandono em prol um desejo de cura que, por essa via, parece-me mais do analista que do analisante? Esse &#8220;ato de cura&#8221; est&#225; comprometido com o qu&#234;? Qual a &#233;tica dessa conduta?</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler tu n&#227;o te moves de ti! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Claro, a diferen&#231;a que justifica a conduta do analista &#233; de natureza epistemol&#243;gica, isto &#233;, partimos de conhecimentos e teorias distintas para conceitualizar a no&#231;&#227;o de cura na psican&#225;lise. Bom, aqui &#233; importante predicar a psican&#225;lise, falarei da psican&#225;lise lacaniana, mais ainda, da psican&#225;lise lacaniana lida por mim, algu&#233;m cujo n&#227;o tem preten&#231;&#227;o de ser hegem&#244;nico. <strong>Para Lacan, a cura n&#227;o tem que ver, obrigatoriamente, com elimina&#231;&#227;o de sintomas, do sofrimento ou do mal-estar, contrariando o que seria intuitivo, a cura pensada por Lacan tem que ver com a cria&#231;&#227;o de um sintoma singular (&#8220;Le sinthome&#8221;).</strong> Como muitos outros, esse conceito &#233; complexo, mas, em linhas gerais, esse termo foi cunhado ao longo do semin&#225;rio 23, proferido nos anos de 1975/76 e dedicado a analisar a obra do escritor James Joyce e sua rela&#231;&#227;o com a escrita. Lacan articular&#225; tal rela&#231;&#227;o, justamente, ao conceito de <em><strong>sinthome</strong></em>, mostrando que foi atrav&#233;s da escrita, no sentido profissional de tornar-se um escritor, que o sujeito James Joyce recebe a alcunha <em><strong>&#8220;James Joyce, o escritor&#8221;</strong></em>, uma predica&#231;&#227;o dada a s&#237; que o sustenta no la&#231;o social e o impede de sucumbir a consequ&#234;ncias danosas de sua estrutura psic&#243;tica. Assim, <em><strong>&#8220;James Joyce, o escritor&#8221;</strong></em>, foi a maneira poss&#237;vel &#224;quele sujeito de estar na vida, de suportar sua pr&#243;pria desordem e ang&#250;stia, ou seja, tal nomea&#231;&#227;o teria sido o <em><strong>sinthome</strong></em> de Joyce. Uma amara&#231;&#227;o particular de seus registros psiqu&#237;cos: Real, Simb&#243;lico e Imagin&#225;rio. <strong>Em outras palavras, ser escritor proporcionou a Joyce o meio de transformar sua condi&#231;&#227;o angustiada de &#8220;ser deixado a cair, de homem feito &#224;s pressas&#8221; &#8212; como t&#227;o bem nos definiu Schreber em suas mem&#243;rias &#8212; em sua maneira singular de suportar a experi&#234;ncia de estar vivo e n&#227;o haver sentido algum para isso, de amar tanto a ponto de doer, confiar e poder ser tra&#237;do, ter um corpo e, inevitavelmente, ter de morrer.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vDah!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc155521f-5f2e-4b5d-975e-899f7ee436c7_1080x1080.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vDah!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc155521f-5f2e-4b5d-975e-899f7ee436c7_1080x1080.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vDah!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc155521f-5f2e-4b5d-975e-899f7ee436c7_1080x1080.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vDah!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc155521f-5f2e-4b5d-975e-899f7ee436c7_1080x1080.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vDah!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc155521f-5f2e-4b5d-975e-899f7ee436c7_1080x1080.png 1456w" sizes="100vw"><img 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Lacan, em O Semin&#225;rio, livro 25: O momento de concluir (li&#231;&#227;o de 10/01/1978), diz:</p><blockquote><p><em><strong>"&#201; poss&#237;vel definir o fim da an&#225;lise. O fim da an&#225;lise &#233; quando se deu duas voltas, isto &#233;, quando se achou aquilo de que se est&#225; prisioneiro. [...] A an&#225;lise n&#227;o consiste em ser liberado de seus sintomas [sinthomes], pois &#233; assim que escrevo sintoma [sympt&#244;me]. A an&#225;lise consiste em que se saiba por que se est&#225; peado a ele. Isso se produz pelo fato de que h&#225; o simb&#243;lico. O simb&#243;lico &#233; a linguagem. Aprendemos a falar e isso deixa tra&#231;os. Porque isso deixa tra&#231;os, isso tem consequ&#234;ncias, que n&#227;o &#233; outra sen&#227;o o sintoma [sinthome], e a an&#225;lise consiste [...] em se dar conta de porque se tem esses sintomas [sinthomes]. De modo que a an&#225;lise &#233; ligada ao saber."</strong></em></p></blockquote><p>Antes, &#233; preciso escandir saber e conhecer. O saber em an&#225;lise &#233; constru&#237;do, n&#227;o tem que ver com conhececimento, tomar ci&#234;ncia de algo por via de um descobrimento, como se em an&#225;lise objetiv&#225;ssemos encontrar com algo esquecido, mas que det&#234;m a verdade absoluta sobre mim. O in&#237;cio de uma an&#225;lise se vale desse desejo de conhecer, de encontrar a verdade que solucionar&#225; meus problemas e crer-se que o analista a tem e basta que ele me d&#234; e tudo voltar&#225; a ser como antes. No entanto, ao n&#227;o responder a essa demanda, o que o analista provoca, ou ao menos espera provocar, &#233; uma transforma&#231;&#227;o no discurso do analisante, que ele pare de convocar um mestre e passe a responder enquanto sujeito que produz sua pr&#243;pria raz&#227;o e causa sem a preten&#231;&#227;o de alcan&#231;ar a verdade. <strong>Achar aquilo de que se est&#225; prisioneiro, n&#227;o implica libert&#225;-se dela, pois, talvez, seja imposs&#237;vel, todavia, que se construia um saber para que se saiba sobre sua condi&#231;&#227;o de por que se est&#225; peado a ele. Achar algo com duas voltar &#233; notar o que j&#225; estava l&#225;, desde sempre, s&#243; n&#227;o se sabia.</strong> &#201; nessa linha de um saber enquanto constru&#231;&#227;o que chegamos a adquirir uma capacidade de transformar nosso sofrimento e mal-estar. A partir de um <em><strong>saber-fazer</strong></em> com eles, transformar algo angustiante e paralizante em uma maneira singular de estar na vida, dar um novo destino, tra&#231;ar uma nova rota, <em><strong>trans-formar</strong></em>, alterar a forma, assim como o Joyce que construiu um retrato de si em linhas e palavras.</p><p>Por isso, <strong>Deus me livre de querer curar alguem!</strong> &#8212; no sentido m&#233;dico, &#243;bvio. Entretanto, gostaria de finalizar dizendo um pouco do porqu&#234; n&#227;o consentimos com a cura pautada na remo&#231;&#227;o imediata de sintomas. Para responder uma pergunta feita anteiormente, retomo-a mais especificamente: impor um regime de cura idealizado como a restaura&#231;&#227;o, o quanto mais r&#225;pido poss&#237;vel, do pleno funcionamento dos corpos e seus componentes org&#226;nicos e da mente e seus componentes ps&#237;quicos estabelece um compromisso com quem e para qu&#234;? Respondo: tal concep&#231;&#227;o de cura, na contemporaneidade, tem intr&#237;seca rela&#231;&#227;o com uma modalidade pol&#237;tica de discursar sobre o la&#231;o social: o neoliberalismo, a m&#233;trica capitalista de produtividade, a forma mercadoria e de consumo impostas sobre as rela&#231;&#245;es consigo e com os outros. Os crit&#233;rios para definir sa&#250;de s&#227;o cada vez mais crit&#233;rios pol&#237;ticos e n&#227;o biol&#243;gicos.</p><p>Teremos essa conversa outro dia, por&#233;m.<br>At&#233; l&#225;, fiquem saud&#225;veis com seus sinthomes,</p><p>Atenciosamente,<br>Jos&#233; Anderson.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OlfZ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d67d1a8-9bff-49c1-9553-a92eaf34409c_959x639.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!OlfZ!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3d67d1a8-9bff-49c1-9553-a92eaf34409c_959x639.jpeg 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Fonte: google imagens.</figcaption></figure></div><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler tu n&#227;o te moves de ti! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Como surgiu a "tu não te moves de ti"?]]></title><description><![CDATA[Por que essa newsletter &#233; o espa&#231;o que voc&#234; procurava e finalmente encontrou?]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/como-surgiu-a-tu-nao-te-moves-de</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/como-surgiu-a-tu-nao-te-moves-de</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Fri, 05 Dec 2025 19:49:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!lFGc!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e212df7-758b-4e07-9829-7091d90a6a01_2560x1440.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!lFGc!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e212df7-758b-4e07-9829-7091d90a6a01_2560x1440.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!lFGc!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e212df7-758b-4e07-9829-7091d90a6a01_2560x1440.png 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Eu j&#225; tive um perfil pessoal no Instagram, nele compartilhava aspectos do meu dia como todo mundo e, vez ou outra, ap&#243;s uma postagem, sentia um retrogosto amargo pela percep&#231;&#227;o de que eu estava nitidamente performando e j&#225; n&#227;o sabia se de fato eu tinha gostado daquilo que eu tinha acabado de transformar em &#8216;post&#8217; ou s&#243; estava desejando que pensassem isso quando vissem aquela foto ou v&#237;deo. Com o tempo, fui me distanciando, at&#233; que finalmente apaguei o perfil e fiquei um bom tempo longe. Quando decidi que seria psicanalista, decidi que voltaria ao Instagram, mas com um perfil profissional, postaria o m&#237;nimo sobre mim e compartilharia sobre meus estudos na psican&#225;lise, assim o fiz. Ainda enquanto eu n&#227;o atendia e estava apenas estudando e fazendo a minha pr&#243;pria an&#225;lise, iniciei uma s&#233;rie de publica&#231;&#245;es e, com frequ&#234;ncia, soltava textos e &#8220;reels&#8221; sobre a psican&#225;lise, embora, desde essa &#233;poca, eu j&#225; sentir-me incomodado com essa forma de se relacionar com aquele espa&#231;o. N&#227;o. Criar um perfil profissional n&#227;o mudou as coisas. Essa &#233; uma armadilha comum. A especializa&#231;&#227;o das redes sociais a partir da instrumentaliza&#231;&#227;o dos dados dos usu&#225;rios, como forte meio de promover o consumo, transformou a maneira como as plataformas da &#8216;Meta&#8217; funcionam, os &#250;nicos intuitos s&#227;o venda e consumo. Estamos na era &#8216;business, baby&#8217;. N&#227;o h&#225; mais espa&#231;o, de modo geral, para boas conversas com argumentos longos e fundamentados, cada vez mais prioriza-se a dissemina&#231;&#227;o fragmentada de ideias, de modo a promover mal entendidos, produzir tens&#227;o entre usu&#225;rios para gerar mais engajamento sobre o &#243;dio e a desinforma&#231;&#227;o &#8212; ou seja, quanto mais seu conte&#250;do gerar conflitos, melhor, queremos a treta, porque o &#243;dio sempre engajou mais que o amor. Sempre senti que aquela plataforma n&#227;o fora desenhada para o formato de conte&#250;do que eu gostaria de compartilhar, porque sempre foi muito dif&#237;cil encontrar conte&#250;dos que eu tamb&#233;m gostasse de consumir: textos e v&#237;deos mais longos e sobre assuntos n&#227;o t&#227;o f&#225;ceis, resenhas sobre livros, filmes e s&#233;ries que fugissem do &#8220;hipe&#8221;, n&#227;o por uma necessidade de se diferenciar, mas por simplesmente serem uma amostra, ao meu ver, genu&#237;na do interesse daquela pessoa, por aquele coment&#225;rio ser genu&#237;no sobre como aquelas obras tocaram aquela pessoa. N&#227;o me &#233; preocupante que muitas pessoas estejam lendo ou assistindo uma mesma determinada obra, mas me preocupa que todas digam as mesmas coisas sobre ela em um v&#237;deo de menos de tr&#234;s minutos, como se cada v&#237;deo, ou seja, cada perfil e, consequentemente, cada pessoa fosse um produto gen&#233;rico saindo de uma linha de produ&#231;&#227;o na qual o padr&#227;o &#233; uma esp&#233;cie de artificialidade do mesmo. </p><blockquote><p><em><strong>A quest&#227;o &#233; que n&#227;o conseguimos nos mover de n&#243;s mesmos e se n&#227;o &#233; poss&#237;vel sair de si, &#233; poss&#237;vel sair consigo de lugares que n&#227;o nos cabem, &#233; poss&#237;vel comunicar-se por outros canais.</strong></em></p></blockquote><p>Ent&#227;o, embora eu ainda esteja presente por l&#225;, esse ano eu resolvi criar essa newsletter para sair de l&#225;, para me comunicar de outra forma. Isso porque a l&#243;gica da Substack me parece n&#227;o funcionar sob o regime da econ&#244;mia da tens&#227;o, al&#233;m de ter uma est&#233;tica muito pr&#243;xima dos nossos antigos blogs e esse charme de entregas via e-mail &#8212; o que na nossa era tecnol&#243;gica podemos dizer que j&#225; se equipara ao nosso antigo correio de cartas. Assim, insatisfeito com o estado de coisas, nasceu a <em><strong>tu n&#227;o te moves de ti</strong></em>, com o nome retirado do romance de mesmo t&#237;tulo de Hilda Hilst, a qual, a meu ver, &#233; uma de nossos grandes romancistas brasileiros. Esse newsletter &#233; um espa&#231;o no qual eu possa compartilhar conte&#250;dos no formato que me agrada para pessoas que queriam realmente consumir o que tenho a dizer. Segue um aviso importante:</p><blockquote><p><strong>Essa newsletter n&#227;o tem compromisso algum com a entrega de conte&#250;dos r&#225;pidos, de f&#225;cil compreens&#227;o e desonestos intelectualmente!</strong></p></blockquote><h2><strong>O que esperar?</strong></h2><div class="pullquote"><p><strong>De vez em quando algumas quest&#245;es surgem e me detenho semanas pensando e s&#243; me apazigua o ato de escrev&#234;-las! </strong><em>&#128172;</em></p></div><p>Tenho feito alguns estudos sobre a contemporaneidade e os articulado com a psican&#225;lise como forma de compreender seus impactos na subjetividade daqueles que buscam a mim para fazer an&#225;lise. Al&#233;m disso, tenho pesquisado detidamente alguns aspectos espec&#237;ficos da teoria psicanal&#237;tica do fran&#231;&#234;s mais p&#233; no saco do mundo e voc&#234;s sabem quem &#233; (rsrs). <strong>Todavia, nem s&#243; de psican&#225;lise eu vivo, a literatura est&#225; sempre em primeiro lugar na minha vida, assim, esse espa&#231;o tamb&#233;m ser&#225; sobre livros. Obviamente, o cinema n&#227;o fica para tr&#225;s, tenho alguns filmes que marcam um antes e depois de mim mesmo, um dia trarei eles aqui. Mas tamb&#233;m, tem uns que assisto que d&#227;o uma boa virada de cabe&#231;a e penso em indic&#225;-los com minhas impress&#245;es. Como n&#227;o fosse o bastante, somado a isso, me aventuro na cria&#231;&#227;o liter&#225;ria de algumas hist&#243;rias em contos que tamb&#233;m compartilharei com voc&#234;s. Assim como, a fotografia, uma arte que me encanta bastante e tenho vontade de mostrar essas minhas tentativas de capturar a beleza do que eu vejo. </strong></p><blockquote><p><em><strong>Tamb&#233;m tenho alguns planos para o canal que tenho no Youtube, por hora, vou deixar o link aqui abaixo para caso voc&#234; deseje se inscrever e aguardar o primeiro v&#237;deo sair por l&#225;:</strong></em><strong> <a href="https://www.youtube.com/@joseandersonof">Quero me inscrever!</a> </strong></p></blockquote><div class="pullquote"><p><strong>A quietude &#233;, quem sabe, uma forma de se estar morto supondo estar vivo. N&#227;o seria esse o pior dos infernos? </strong><em>&#128172;</em></p></div><p>Nesse sentido, esse espa&#231;o<em><strong> </strong></em>direciona-se &#224; leitores que fazem frente em uma resist&#234;ncia &#224; superficialidade acelerada que dita um certo modo de experienciar a vida. Esse modo que distancia-se de um cuidar de si e objetiva abduzir dos sujeitos um tempo de inutilidade e reflex&#227;o e cujo promete a idealiza&#231;&#227;o de um sentido vazio de felicidade. Portanto, haver&#225; de dar-se tempo para encarar que <em><strong>tu n&#227;o te moves de ti</strong></em>, de alguma maniera, remonta uma ideia revolucion&#225;ria da psican&#225;lise, <em><strong>n&#227;o d&#225; para curar-se de si mesmo</strong></em><strong>, </strong><em><strong>mas d&#225; para fazer belas coisas com nossa singularidade.</strong></em></p><p></p><p>Espero que estajem comigo,<br>atenciosamente,<br>Jos&#233; Anderson. &#129294;</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler tu n&#227;o te moves de ti! 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Encaminhou a mensagem por via desses aplicativos de entrega instant&#226;nea e aguardou impaciente uma resposta. Apesar de ser quase 10h da manh&#227;, ainda estava deitado, entretanto, como &#233; costume livrar-se da impot&#234;ncia frente ao tempo no qual o objeto &#233; a espera, meteu-se fora da cama, caminhou at&#233; a cozinha e pegou a vassoura para varrer a casa. Embora tenha dispersado a &#226;nsia pela resposta, &#8220;Ser&#225; que era eu mesmo?&#8221;, n&#227;o deixou de pensar um instante sequer. Passados alguns minutos, vibrou o celular. Mesmo que n&#227;o tivesse terminado de varrer a casa, de imediato largou a vassoura e verificou que de fato eram as fotos que pedira. Arrastar o dedo na tela figurou-se tal qual uma linha do tempo de &#233;pocas esquecidas, viu-se fantasiado de ind&#237;gena, sentado diante de presentes de um anivers&#225;rio que n&#227;o sabia qual, o registro de momentos antes de ir &#224; escola com lancheira e pastas nas m&#227;os, depois uma de bata na formatura da alfabetiza&#231;&#227;o, da qual tivera sido orador da turma; foi no pr&#243;xima fotografia que abandonou a viagem nost&#225;lgica: al&#237; estava! Quadro, garfos e guid&#227;o vermelhos, rodas com pneus amarelos e jantes brancas, dessa mesma cor podia-se ver ainda a sela e paralamas. Embora a crian&#231;a ao seu lado apoie-se com as duas m&#227;os sobre a luva amarela do guid&#227;o, s&#227;o realmente as duas rodinhas acopladas ao garfo traseiro que a mant&#233;m de p&#233;. A atitude das m&#227;os havia de ser apenas um ponto est&#233;tico de proximidade sugerido por algu&#233;m que naquele instante a crian&#231;a admirava. O menino vestia bermuda e camisa notadamente ao menos de dois anos acima do vestu&#225;rio recomendado a sua idade. A premissa que rege a l&#243;gica de uma fam&#237;lia pobre &#233; clara: &#8220;Crian&#231;a cresce r&#225;pido e tudo se perde&#8221;, assim, o que &#233; necess&#225;rio h&#225; de tornar-se o poss&#237;vel. Os sapatos pareciam ser os adequados &#224; idade de tr&#234;s ou quatro anos, as quais, por sua vez, pareciam ser as idades adequadas &#224;quele sorriso nascido de n&#227;o sei o qu&#234;, pensou Ortep. Mais que o indecifr&#225;vel motivo daquele mostrar de dentes, n&#227;o pode compreender em si a nascente daquele inc&#244;modo oco no peito, ainda que n&#227;o duvidasse mais que tivera realmente sonhado consigo, pois eram os mesmos, ele, o do sonho e o da fotografia, de s&#250;bito interpelou-se &#8220;Quem me deu essa bicicleta?&#8221;, tal pensamento fez vibrar suas paredes. Surpreendeu-se, pois sabia quem o tinha dado, &#8220;Oxe, foi painho!&#8221;, precisou dizer em voz alta na tentativa de aplacar aquele vazio cujo facilmente devorou cada palavra. Assolado pelo sil&#234;ncio que se fez ouvir, tomara como tarefa irremedi&#225;vel confirmar que o que lhe soou de sua pr&#243;pria boca como mentira fosse verdade. Se diz-se ver vultos onde se t&#234;m sombras de objetos quaisquer, pode-se dizer palavras como sombras para se furtar da vista alguns vultos. Lembrou que no sonho tinha visto a si, aquele sorriso e aquele fundo verde natural de alguma cerca vizinha, &#8220;Mas n&#227;o sonhei com a bicicleta&#8221;, pensou. Sentiu a respira&#231;&#227;o dificultada, inspirou profundamente arqueando as costelas como sem fim e teve a impress&#227;o de que poderia desaparecer ao devolver todo aquele ar &#224; atmosfera, hesitou alguns segundos, mas, n&#227;o suportou aquele excesso de vida e achou ir&#244;nico que mesmo para continuar vivo tenha-se sempre que algo perder. Cogitou ligar para o pai e perguntar. Ruborizou-se, por&#233;m, com a possibilidade quase &#243;bvia de ouvir, &#8220;Que mais esqueceres do que eu te fiz?&#8221; Ent&#227;o, achou de bom grado a impessoalidade de enviar uma mensagem com a fotografia anexada. Estava feito. Passaram quarenta minutos e n&#227;o obteve resposta, j&#225; tivera varrido a casa, lavado os pratos da noite passada, organizado a cama onde dormira, jogado quatorze vezes uma xuxinha de cabelo para sua gata ir buscar e trazer at&#233; ele. Embora fosse motivo de orgulho sua gata comportar-se como cachorro sem que ningu&#233;m lhe tivesse ensinado, naquelas circunst&#226;ncias, desejava mais que tudo a contrariedade daquela aus&#234;ncia. Ensaiou levantar para tomar um copo de &#225;gua, mas recuou ao vibrar do celular cujo descansava ao seu lado. Abriu o aplicativo. Como se formam as ondas que logo logo quebrar&#227;o em si mesmas, leu a mensagem, &#8220;E a&#237;, filh&#227;o, tudo bem? O tempo passa r&#225;pido demais n&#227;o &#233;? Essa bicicleta foi um calo para sua av&#243;, voc&#234; n&#227;o largava de jeito nenhum, ao menos valeu todo o dinheiro que ela gastou&#8221;, texto seguido de alguns emojis de risos e cora&#231;&#245;es. Ortep quebrou em si mesmo. Al&#237;, parado como um poste que aguardava a hora de acender sua luz, brilhou uma lembran&#231;a laminosa, pois fora apreendida como um rasgo na cabe&#231;a, &#8220;Diga que foi o pai&#8221;, ouviu a av&#243; dizendo &#224; m&#227;e. Soube enfim para onde olhava na fotografia. O sorriso veio de um corte das duas primeiras palavras da frase, como o melhor de nossos recursos em suportar um apagamento. Constroi-se a realidade para n&#227;o se a ver com vultos, suporta-se velhos-dos-sacos, papa-figos at&#233;, s&#227;o materias e pode-se matar, vultos esbanjam intangibilidade, s&#243; bons palavreados os afastam. Como menino &#233; mais fantasia que compreens&#227;o, palavra pouca bastava. Agora adulto compreendia e a fantasia configurava-se mais como uma pris&#227;o que a soltura no mundo. &#8220;Ele n&#227;o estivera l&#225;, nem mesmo me dera a bicicleta, n&#227;o sonhei com ela porque n&#227;o se pode sonhar com a pr&#243;pria morte&#8221;. Caminhou at&#233; o banheiro deixando pelo caminho as roupas que vestia. Entrou de cabe&#231;a embaixo do choveiro aberto ao m&#225;ximo com &#225;gua fria. Chorou. Lembrou, todavia, que ca&#237;ra daquela mesma bicicleta dezenas de vezes sozinho e sempre levantou-se dolorosamente feliz. A presente aus&#234;ncia do pai, acompanhou brotando densamente dentro de si aquele novo sentido, tivera sido afinal o longo caminho pelo qual pode aprender a pedalar. Sa&#237;ra do banho sorrindo de sua cena dram&#225;tica e piegas. &#8220;N&#227;o duvido do quanto ela se esfor&#231;ou&#8221;, foi o que respondera. Desejou destacar em it&#225;lico aquele pronome, contudo, satisfez-se em retificar para si. Iniciar uma discuss&#227;o com o pai pareceu insignificante. Alguns acertos de contas dizem respeito a tornar principal alguns coadjuvantes e, em todos os casos, seu pai nunca estivera a altura de papel algum.<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a></p><div><hr></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_MNN!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46707153-2e04-46a8-8da5-c51fa5d53f7b_1200x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_MNN!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46707153-2e04-46a8-8da5-c51fa5d53f7b_1200x1600.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p>O conto foi resultado de uma proposta realizada no clube liter&#225;rio &#8220;Palavras t&#234;m cheiro de mar", coordenado por B&#225;rbara (<span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;tenda cigana&quot;,&quot;id&quot;:379176810,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f318640d-1425-4569-80f5-008c542b8113_1819x1819.png&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;f6be00a9-6d28-427f-9fe7-b8d6a1ea0e76&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span>) e eu, no qual a proposta &#233; lermos todos os romances de Clarice Lispector, mas tamb&#233;m nos aventurarmos na escrita de nossas pr&#243;prias hist&#243;rias. Nosso primeiro &#8220;ato criativo&#8221; surge da proposta de a partir de uma fotografia de nossa inf&#226;ncia criarmos algo, eis o que fiz.</p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Preta velha deusa]]></title><description><![CDATA[Me contou dos tempos de mo&#231;a, dos bailes nunca idos, dos tempos de fome e de muito servi&#231;os, nunca foi &#224; escola sen&#227;o para levar os filhos, conheceu homens bons e amaldi&#231;oados que corriam bicho...]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/preta-velha-deusa</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/preta-velha-deusa</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Tue, 11 Mar 2025 21:32:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd72371fc-648d-462b-886c-8d895a538582_4032x3024.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Minha v&#243; cheirava a mato fresco e poeira. Como o cheiro reconfortante e apaziguador que a &#225;gua da chuva ou lan&#231;ada a m&#227;o faz subir do ch&#227;o em dias muito quentes. Preta, velha deusa. Emergia da cama todos os dias antes do crep&#250;sculo. Por vezes, fantasiei que ela era quem orquestrava o nascer do sol, devia acend&#234;-lo com a brasa de seu fog&#227;o de lenha. Sua espada de serafim. Nunca tive certeza de seu poder, ela sempre disfar&#231;ava bem. Certo dia fez o rel&#243;gio cantar, um rel&#243;gio de parede preto, velho deus, como ela. &#8220;&#201; o deus do tempo, meu filho&#8221;, ela dizia, &#8220;Ele manda em tudo, veja, hora do banho, ele ordena&#8221;.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TLpO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92de633b-b14e-4f9f-9f05-c350ef8c0812_736x1308.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TLpO!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92de633b-b14e-4f9f-9f05-c350ef8c0812_736x1308.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Fotografia retratando sol ap&#243;s chuva e ch&#227;o molhado dispon&#237;vel <a href="https://pin.it/5VNyLvn5L">(aqui)</a>.  </figcaption></figure></div><p>Me irritava um deusinho que se podia matar tirando-lhe as pilhas, mandar em tudo cujo eu fazia. Ela obrigava-me a obedecer a todas as horas que ele cantava. Eu gostava das horas de comer e brincar, nunca as de dormir e menos ainda as de acordar, a mais ansiada hora, por&#233;m, era a de banhar-se. Era o mais pr&#243;ximo do poder de minha v&#243; que eu chegara vislumbrar. Quando, no terreiro, me traziam, os ventos, o canto do tempo, disparava em busca do balde, sabonete e toalha, era a primeira das dezoito badaladas. Minha v&#243; desfilava com sand&#225;lias nas m&#227;os e bacia na cabe&#231;a a caminho do rio que nos esperava com suas amenas e claras &#225;guas. Sempre ao submergir um de seus p&#233;s n&#8217;&#225;gua batia a d&#233;cima oitava badala. &#192; margem, eu aguardava seu comando, pois era ela quem primeiro entrava. Passeava lentamente todo aquele quadro de c&#233;u cor de fraca brasa. &#8220;Ela est&#225; desligando o sol que outrora ligara&#8221;, pensava. De olhos vidrados acompanhava cada passo, cada movimento d&#8217;&#225;gua. A noite chegava trazendo as trevas que ela chamara, ela substitu&#237;ra o sol pela lua e estrelas que a iluminavam. Minha v&#243; sumia em meio &#224;s &#225;guas, ora transl&#250;cida na escurid&#227;o, ora prateada como o holofote lunar. &#8220;Pode entrar, Jos&#233;&#8221;, ela falava, &#8220;Mas seja r&#225;pido, os ventos frios chegam j&#225;&#8221;. Eu entrava a passos de formiga, assustadi&#231;o, certificando-me se ainda estaria ali o macio fundo do rio que eu conhecia, mas encantado. Enquanto eu desfrutava daquelas &#225;guas, ela cantarolava esfregando minhas roupas sobre a superf&#237;cie de um pequeno muro de pedras &#224; margem, palavra nenhuma era dita, apenas som entoava. N&#227;o era uma melodia conhecida, mas suas ondas cavalgavam no espa&#231;o resplandecendo beleza aos meus ouvidos. Interrompia a liberta&#231;&#227;o de notas para perguntar-me, &#8220;J&#225; passou o sabonete, Jos&#233;, avia que eles n&#227;o tardam, vem, deixa eu ver o p&#233;&#8221;, aproximando-me daquela mulher que afetava-me com um tom de infamiliaridade &#237;ntima, indagava, &#8220;Eles quem, v&#243;&#8221;, &#8220;Os ventos frios, menino&#8221;, ela suspendia um dos meus p&#233;s enquanto eu, deitado, at&#244;nito esperava, pegava um punhado de areia submersa e esfregava sobre meu p&#233;, entre os dedos e ao longo da canela, eu sentia os gr&#227;os de areia passearem sob minhas unhas com uma cad&#234;ncia estranhamente ritmada. Terminado um p&#233;, pedia-me o outro. &#8220;Por que a senhora tem medo dos ventos frios, v&#243;&#8221;, perguntei. Soltando meu p&#233;, escapou-lhe tamb&#233;m do canto da boca um meio sorriso sereno, perigoso como o pr&#243;prio sereno da boca da noite. &#8220;N&#227;o tenho medo, Jos&#233;&#8221;, disse voltando-se &#224;s roupas cujo ensaboadas esperavam na bacia, &#8220;Mas parece, a senhora sempre fala neles&#8221;, &#8220;&#201; que &#233; dif&#237;cil n&#227;o ir&#8221;, &#8220;Ir&#8221;, quis saber, &#8220;Com eles, ir-me com eles&#8221;, disse agora im&#243;vel e mirando um olhar enigm&#225;tico para o vazio longamente projetado entre as bananeiras, &#8220;Os ventos, mas tem vento em todo canto&#8221;, &#8220;N&#227;o estes&#8221;, &#8220;Como ir com eles se passam r&#225;pido, ningu&#233;m alcan&#231;a o vento, v&#243;&#8221;. Novamente aquele sorriso. &#8220;&#201; por isso que nos carregam, filho, mas adiante, passa o sab&#227;o e vamos&#8221;. Na volta para casa, minha m&#227;o tomava o lugar outrora das sand&#225;lias, aquela m&#227;o pequena e enrugada fazia-me enxergar por aquele caminho pedregoso entre as mangueiras, bananeiras e goiabeiras, ela era a pr&#243;pria escurid&#227;o ou tinha olhos de coruja, nenhum trope&#231;o at&#233; a casa. Do terra&#231;o se ouvia os ventos frios correrem disparados pela trilha deixada h&#225; pouco por nossa passada, ouvia-se desviarem da casa e subirem os morros por entre os canaviais, os limoeiros que dan&#231;avam atr&#225;s da casa. Embora incr&#233;dulo da veracidade do poder dos ventos de carregarem algu&#233;m, no sil&#234;ncio deixado ap&#243;s sua apari&#231;&#227;o, eu encontrava repouso por n&#227;o ser naquele dia que veria minha v&#243; ir com eles, por eles ser levada. Agora limpo, de unhas claras, sentado no sof&#225; e cheirando a alfazema, novamente aguardava. V&#243; penteava o cabelo enquanto o deus-rel&#243;gio dezenove badaladas cantava. In&#250;tilmente, por&#233;m. Eis a hora do jantar, anunciava, mas minha barriga antecipava-me qualquer necessidade de encontrar-se com a comida. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZVF8!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd5b4b876-a0ec-4481-ab06-dc89c52b6ffe_2439x3248.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZVF8!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd5b4b876-a0ec-4481-ab06-dc89c52b6ffe_2439x3248.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZVF8!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd5b4b876-a0ec-4481-ab06-dc89c52b6ffe_2439x3248.jpeg 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Foto de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@jontyson?utm_content=creditCopyText&amp;utm_medium=referral&amp;utm_source=unsplash">Jon Tyson</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/relogios-castanhos-e-brancos-FlHdnPO6dlw?utm_content=creditCopyText&amp;utm_medium=referral&amp;utm_source=unsplash">Unsplash</a></figcaption></figure></div><p>Um dia no esconde-esconde com meus primos, abriguei-me entre as bananeiras do meu tio, ouvi a nora de minha v&#243;, sorrindo, comentar com a irm&#227; que minha v&#243; era esposa do tempo e n&#227;o daria o div&#243;rcio facilmente. &#8220;Coitada, mulher&#8221;, respondeu a outra com o riso for&#231;osamente prendido. Na &#233;poca, n&#227;o entendi que falavam de morte. Tinha sido assim para mim a descoberta do porqu&#234; minha v&#243; n&#227;o tinha marido e, sem homem, portanto, restava-lhe obedecer ao deus-rel&#243;gio. Incorporei a ideia de seu marido ser o tempo e que dera a ela o poder das hist&#243;rias, eram tantas cujo mil vidas n&#227;o esgotam. Me contou dos tempos de mo&#231;a, dos bailes nunca idos, dos tempos de fome e de muito servi&#231;os, nunca foi &#224; escola sen&#227;o para levar os filhos, conheceu homens bons e amaldi&#231;oados que corriam bicho, sabia tanto das coisas e para provar, &#224;s vezes, dizia, &#8220;Vai chover&#8221;, e chovia. Era triste precisar deix&#225;-la quando findavam-se as f&#233;rias, trazendo-me a obrigatoriedade do retorno &#224;s aulas t&#227;o r&#237;gidas e toledoras daquele vasto imagin&#225;rio infantil. Entretanto, inevitavelmente, haveria o momento de crescer, como diz-se para n&#227;o assumir a fuga adulta da liberdade da crian&#231;a, solta e perigosa.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!W5wW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd72371fc-648d-462b-886c-8d895a538582_4032x3024.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!W5wW!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd72371fc-648d-462b-886c-8d895a538582_4032x3024.jpeg 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" 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Eu cresci, abandonei a fantasia. Como &#233; dura essa vida. Minha v&#243; adoeceu, parou de acender o sol e chamar a noite, j&#225; adulto minha crian&#231;a custou aceitar. Deixei de ir v&#234;-la com frequ&#234;ncia, deixei de ir ao rio, fiquei com o chuveiro morto. Soube que a preta velha, deusa fora ferida no p&#233; por sua pr&#243;pria espada flamejante, caminhava descal&#231;a no ch&#227;o do qual pensara ser dona, mas desconhecia das vidas microsc&#243;picas abrigadas na terra, fizeram casa na ferida aberta, comeram de sua carne t&#227;o r&#225;pido quanto cem mil cupins destroem o p&#233; de um guarda-roupa antigo. Foi preciso amputar. Ficou encamada, fora atacada por todos os males h&#225; tempos espreitando-a, dizem que para a morte basta-se apenas uma topada. Definhou lentamente aprisionada na cama por faltar-lhe for&#231;a, ou viol&#234;ncia se preferir, para erguer-se. Seu esposo de tristeza n&#227;o entoava suas badaladas. Mergulhada nesse cale-se, afogaram-se seus poderes e hist&#243;rias que contava. Agora s&#243; os olhos da deusa velha falavam, cantarolavam. Fui ter com ela em uma visita inesperada para ela e para mim at&#233;. Depois de uma hora de caminhada da rua &#224; parcela, no percurso parei alguns instantes na ponte sobre o rio que corta Pernambuco arrastando parte do sofrimento dos nordestinos. Suas &#225;guas agitadas e velozes batiam furiosas nas rochas e uma brisa suave subia agarrando-se ao ar atmosf&#233;rico e recaia sobre minha face como a neblina da noite recai sobre a relva selvagem e a grama &#8212; essa &#250;ltima assim chamada por ser relva domesticada de um jardim <em>o velho jardim de minha v&#243;</em>, invadiu-me. Voltei &#224; andan&#231;a e n&#227;o parei at&#233; chegar &#224; parcela. De longe avistei-a, agora parecendo-me menor que o distante reino de minhas f&#225;bulas infantis. Cheguei &#224; porta. N&#227;o havia mais cheiro de mato fresco ou poeira, tudo parecia putrificado. A nora tomava conta da casa agora, como abutre passeava na sala. &#8220;Jos&#233;&#8221;, entoou ao perceber-me espreitando-a em frente &#224; porta, &#8220;N&#227;o sabia que viria hoje, entre, ela est&#225; no quarto, ainda sabe onde &#233;, sim&#8221;, questionou-me, nada respondi, &#8220;Quer &#225;gua&#8221;, quis saber. Entrei no quarto, fechei a porta atr&#225;s de mim. Finalmente o div&#243;rcio por ela t&#227;o desejado estava requerendo a &#250;ltima assinatura, ela vencer&#225; por fim, pensava recostado &#224; porta, cabisbaixo. Ergo a cabe&#231;a e investigo o quarto rapidamente como uma coruja na obscuridade da noite em busca de um animal menor para devor&#225;-lo. Buscava, o que exatamente nunca soube, apenas buscava, talvez coragem, ou agressividade, como preferir, para mirar ocularmente o que fora um dia cama e tornara-se pr&#233;via do caix&#227;o cujo anunciava a necessidade t&#227;o pr&#243;xima. Olhei-a. Que tormento v&#234;-la ali paralisada, cadav&#233;rica, apenas seus olhos brilhavam, tinham vida, como a lua que nas noites de banho no rio a iluminava. Chegando-me ao lado de onde jazia fisicamente, pois o corpo desfalecido e castigado denunciava perman&#234;ncia &#250;nica da alma, sem saber quais palavras irromperiam o ar f&#233;tido daquela atmosfera densa capaz de ser tocada <em>que direi ser&#225; que me ouve ou entende deveria ter vindo mais vezes n&#227;o ter desistido do infante alucinado pela deusa n&#227;o desistido dela era t&#227;o forte impetuosa e guardi&#227; dos mist&#233;rios mais profanos e divino t&#227;o mais interessante que a vida adulta na cidade</em> &#8220;Oi, v&#243;&#8221;, disse, por fim, acanhado. Nenhuma resposta <em>ser&#225; que ouviu falei baixo demais oi v&#243; quem diz oi v&#243; depois de tanto tempo parecendo uma crian&#231;a medrosa ela assim t&#227;o distante e diferente alheia vagante que direi agora ela que guardava todas palavras do mundo consigo desse tempo que costumava prostrar-se diante dela que acendia o sol</em> ent&#227;o soube de imediato o que dizer. &#8220;Vim v&#234;-la acender o sol de novo, v&#243;&#8221;. Para meu espanto percebi o custoso sorriso formado no seco rosto <em>ouve ela ouve </em>peguei sua m&#227;o ainda mais velha, mais enrugada e agora tamb&#233;m ossuda, seria poss&#237;vel observar todas suas falanges. Sem saber que mais dizer, deitei-me ao seu lado, aquele corpo franzino ocupava quase nada do leito, ali fiquei sem dizer palavra, sob uma chuva torrencial de pensamentos fren&#233;ticos, sem saber como, adormeci. Revisitei as mem&#243;rias das dezoito badaladas. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ykBF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b39be24-6f18-48cd-a48c-5b61e84a3546_2944x1300.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ykBF!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b39be24-6f18-48cd-a48c-5b61e84a3546_2944x1300.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ykBF!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b39be24-6f18-48cd-a48c-5b61e84a3546_2944x1300.jpeg 848w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Imagem adaptada do original dispon&#237;vel <a href="https://pin.it/1DQY7ZK7m">(aqui)</a>.</figcaption></figure></div><p>Despertei com um aperto de m&#227;o capaz de quebrar todos meus ossos, ela estava de olhos petrificados encarando-me com ordenan&#231;a, os l&#225;bios tremeram, perguntei, &#8220;O que foi, v&#243;&#8221;, seus l&#225;bios agitavam-se alvoro&#231;ados, &#8220;Diga&#8221;, encorajei-a, seus olhos indo e vindo em dire&#231;&#227;o &#224; janela, &#8220;Janela, que tem a janela&#8221;, indaguei, senti a m&#227;o doer, levantei em dire&#231;&#227;o ao alvo de seus agitados olhares, &#8220;Que tem, v&#243;&#8221;, insisti. Olhando uma segunda vez al&#233;m da janela, avistei, por fim, vi o brilho espelhar da &#225;gua, reluzindo no fim da tarde, era o rio. &#8220;V&#225;&#8221;. Voltei-me &#224;quela voz e tomando-lhe a m&#227;o, quis saber abismado, &#8220;Que disse, v&#243;&#8221;, &#8220;V&#225;&#8221;, saltou-lhe dos convulsivos l&#225;bios, &#8220;Banhe-se no rio&#8221;. Atordoado, fiz que anunciaria sua voz retornada. O aperto terr&#237;vel fez doer minha m&#227;o novamente, foi um cale-se vigoroso. &#8220;Mas&#8221;, tentei dizer. Ela assentiu de rosto apaziguado. Finalmente entendi. Fiz que sim com a cabe&#231;a. Sa&#237; do quarto, a secret&#225;ria da morte que meu tio amava dormia sentada no sof&#225;. Ainda atordoado segui e tomei o balde, encontrava-se no mesmo lugar de antes. Uma badalada fez-se ouvir. Em seguida, a toalha. Duas badaladas. Tr&#234;s quando em m&#227;os tive o sabonete, tirei os sapatos correndo em dire&#231;&#227;o ao rio. L&#225; estava o quadro do c&#233;u refletido, a mesma cor de fraca brasa, esperando a deusa bailar em sua tela amena e clara. Pus o p&#233; n&#8217;&#225;gua. Foi a d&#233;cima oitava badalada. Repeti o ritual da velha encantada, sondei cada canto da tela onde pisava. Da casa, nascia barulhos de passos r&#225;pidos, a nora gritou pelo meu tio que lutava contra daninhas no canavial, &#8220;Sandro, homem, acode, chega ligeiro&#8221;, brotavam-me l&#225;grimas involunt&#225;rias. <em>Compreendi tudo &#233; isto ela sabe agora posso compreender porque aqui ser&#225; a &#250;ltima n&#227;o quero n&#227;o posso deixar que ser&#225; disto de minha crian&#231;a que vive junta a ela em minhas lembran&#231;as ela mant&#233;m tudo esquecerei n&#227;o posso n&#227;o posso agora compreendo eles vir&#227;o. </em>A noite reinava. Algo mantinha-me r&#237;gido aos movimentos. Tirei minhas roupas, submergi-me inteiro. Ao levantar, percebo estar trazendo comigo areia nas m&#227;os, senti um pouco escaparem entre os dedos, esfreguei meus p&#233;s, os gr&#227;os de areia fugiam de sob minhas unhas, passei o sabonete no corpo, lavei-me. Sa&#237; e enrolei a toalha na cintura, depois tentei caminhar em dire&#231;&#227;o &#224; casa, mas j&#225; havia escurid&#227;o por toda parte, caminhei com dificuldade, tropecei v&#225;rias vezes. Sem as m&#227;os da preta velha deusa era imposs&#237;vel. Parei de supet&#227;o, senti um arrepio no meio das costas <em>S&#227;o eles ela sabia ela sempre disse demorei demais v&#227;o chegar</em> lembrei. Eles chegaram. Passaram por mim, est&#225;tico fechei os olhos com medo, deslizaram sobre meu corpo como m&#227;os carentes de pele, senti um frio terrivelmente carinhoso e amea&#231;ador abra&#231;ar minha carne, invadir meus poros, senti penetrarem-me, n&#227;o o corpo, a mat&#233;ria, mas o vazio das entranhas. Seguiu deixando um rastro entre as &#225;rvores, pude guiar-me por esse caminho. Os ventos frios que tanto ela evitara, fizeram uma curva e entraram em sua morada. Corri para alcan&#231;&#225;-los, esquecendo que ningu&#233;m pode alcan&#231;ar vento algum. Estando eu &#224; porta, escaparam pela janela. Sibilavam em um tom fantasmag&#243;rico erguendo-se sobre os morros, agitando os canaviais, enquanto os limoeiros, atr&#225;s da casa, dan&#231;avam. N&#227;o resistiu. Deixou ser levada. A velha preta deusa do deus-tempo apartada.</p><div><hr></div><ol><li><p>Gostou do conto? 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Ou melhor, quando um sintoma neur&#243;tico passa de uma repeti&#231;&#227;o mort&#237;fera a um ritual de cura.]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/rituais-que-curam-um-obsessivo-em</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/rituais-que-curam-um-obsessivo-em</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Tue, 04 Mar 2025 13:01:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zh_-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fca3a7c4a-3251-4947-9c1a-3748a780bed8_736x1308.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#201; manh&#227;. O sol viola meu quarto atrav&#233;s da janela posta ali ao lado do finalzinho da cama. Sua luz descansa sobre o leito e aquece os len&#231;&#243;is sob os quais guardava meus p&#233;s. Acordo ao calor da amea&#231;a de t&#234;-los cozidos em instantes. Tento enxergar a sar&#231;a ardente daquele portal ao mundo, mas, involuntariamente, de costas, minha m&#227;o salva-me a vista. &#8220;&#201; manh&#227;&#8221;, confirmo como se todos demais sinais n&#227;o fossem suficientes. Enfim, ainda cobrindo os olhos, arrasto-me at&#233; o banheiro, alcan&#231;o a pia e molho o rosto. &#8220;&#201; um pouco inc&#244;modo despertar com os p&#233;s queimando, mas nunca fui adepto daquela coisa horr&#237;vel chamada <em>black-out</em>. &#201; t&#227;o feio que deram-lhe um nome ingl&#234;s. Ao menos, o calor me diz que o sol &#233; o de sempre e, talvez, at&#233; mais quente. Ser uma coisa sempre, conscientemente: deus me livre; inconscientemente: quem me dera.&#8221;, era o que eu pensava enquanto, j&#225; sa&#237;do da pia, urinava. Sigo at&#233; a cozinha. Pego a chaleira, fa&#231;o quest&#227;o de n&#227;o utilizar a cafeteira el&#233;trica, preencho com &#225;gua e levo ao fogo at&#233; a fervura ser avisada pelo apito acionado pela sa&#237;da do vapor atrav&#233;s de seu bico; vou at&#233; o arm&#225;rio, abro uma das portas e recolho os pacotes de caf&#233; e filtros de papel; caminho at&#233; a pia, apoio tudo ali mesmo e, do escorredor de pratos, pego o funil; repouso sobre pia tamb&#233;m a garrafa t&#233;rmica antes apoiada sobre o balc&#227;o de alvenaria com uma pedra de m&#225;rmore servindo como mesa; monto o aparato at&#233; ouvir o apito: garrafa posta aberta, funil sobre a garrafa, filtro dentro do funil, tr&#234;s colheres de sopa bem cheias do p&#243; de caf&#233;. Em alguns minutos, <em>voil&#224;</em>, o apito. Segurando a chaleira fuma&#231;ante com uma das m&#227;os, ergo o dispositivo acoplado em seu bico com a outra e, com movimentos circulares em dire&#231;&#227;o hor&#225;ria &#8212; pois haveria de estar aqui inclu&#237;do o tempo, despejo a &#225;gua at&#233; n&#227;o sobrar mais. Enquanto o caf&#233; &#233; filtrado, frito ovos para acompanhar. Ovos prontos, filtrado todo o caf&#233;, encho uma x&#237;cara e volto ao quarto para tomar o caf&#233; da manh&#227; sob o mesmo sol que me acordara. &#201; assim todos os dias, salvo as exce&#231;&#245;es de um dia ter uma coisa ou outra a mais ou a menos a ser feita. N&#227;o d&#225; para ser sempre o mesmo, embora seja sempre manh&#227;.</p><div class="native-video-embed" data-component-name="VideoPlaceholder" data-attrs="{&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;6b413f33-34a4-43fc-978d-5d976788ac1d&quot;,&quot;duration&quot;:null}"></div><p>&#201; essa descri&#231;&#227;o compassada do cotidiano que acompanhamos em &#8220;<em><strong><a href="https://mubi.com/films/perfect-days?utm_source=app_share&amp;utm_medium=android">Perfect days</a></strong></em>&#8221;<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>, longa dirigido por Wim Wenders. 124 minutos contemplando a repeti&#231;&#227;o &#8212; ou melhor dizer ritualiza&#231;&#227;o? &#8212; de dias e noites que explora a beleza das pequenas coisas: o h&#225;bito de boas leituras, aprecia&#231;&#227;o de boas m&#250;sicas, a dignidade de fazer seu trabalho sem precaridade, o encontro com o outro poder revelar o inimagin&#225;vel, estar atento ao espanto jubiloso da vida e habitar a tranquilidade em silenciar consigo sem fugir das sombras que jamais te deixar&#225;, chorar diante da beleza em um tempo cujo <em>now is now</em> e <em>next time is next time</em><a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a>.</p><p>A repeti&#231;&#227;o em psican&#225;lise &#233; da ordem do destrutivo: puls&#227;o de morte, como definiu Freud no seu c&#233;lebre texto &#8220;Al&#233;m do princ&#237;pio do prazer&#8221; (1920). Aquilo que ainda n&#227;o incorporado na linguagem, repete at&#233; ser elaborado. Nesse sentido, re-PETI&#199;&#195;O<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-3" href="#footnote-3" target="_self">3</a>, um fragmento Real<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-4" href="#footnote-4" target="_self">4</a> que pede supl&#234;ncia &#224; simboliza&#231;&#227;o. Em an&#225;lise, o sujeito repete n&#227;o s&#243; discursivamente sob sua estrutura pr&#243;pria, mas tamb&#233;m no pr&#243;prio setting anal&#237;tico diante, com e para o analista por meio da transfer&#234;ncia &#8212; o que far&#225; movido por uma suposi&#231;&#227;o de que h&#225; no analista um saber-fazer-parar aquilo que cumpulsivamente repete. &#201; a partir da escuta atenta e leitura simb&#243;lica do discurso cujo analista pode pontuar tais repeti&#231;&#245;es, viabilizando o trabalho ativo de simboliza&#231;&#227;o: e-LABOR-A&#199;&#195;O<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-5" href="#footnote-5" target="_self">5</a>. N&#227;o para meramente desfazer a repeti&#231;&#227;o, buscando cessar toda dimens&#227;o do sofrimento nela presente. Por&#233;m, para que o sujeito possa conseguir escolher onde faltar e ele mesmo transformar aquilo que se repete como destrui&#231;&#227;o em uma ritualiza&#231;&#227;o de cuidado e cura.</p><p>Porque ritualiza&#231;&#227;o e n&#227;o repeti&#231;&#227;o? Me parece ser mais apropriado devido uma mudan&#231;a l&#243;gico-discursiva do termo. Se a repeti&#231;&#227;o &#233; da ordem do ainda n&#227;o inscrito na linguagem, o ritual &#233; o oposto, visto que ele mesmo &#233; uma pr&#225;tica narrativa nascida de uma experi&#234;ncia partilhada com o outro, dando-lhe um car&#225;ter greg&#225;rio de comunidade, como argumenta Byung-chul Han<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-6" href="#footnote-6" target="_self">6</a>. &#201; nesse sentido que o fil&#243;sofo pontua a a&#231;&#227;o simb&#243;lica do ritu, por sua estreita rela&#231;&#227;o com a narra&#231;&#227;o. Enquanto a repeti&#231;&#227;o ainda pede uma narrativa, a ritualiza&#231;&#227;o &#233; narrar como forma de dar desfecho, sentido, isso n&#227;o quer dizer que &#250;nicos, pois narra-se n&#227;o para apenas repetir, todavia, para reelaborar. N&#227;o &#233; a mesma forma de sofrer, &#233; uma nova forma de estar vivo sob uma mesma estrutura discursiva. &#192;quilo que falta, o sujeito pode contornar, n&#227;o como desvio, mas como enlace para transforma&#231;&#227;o da ins&#237;gnia &#8220;do que n&#227;o tenho&#8221; para &#8220;que posso ter al&#233;m?&#8221;.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ca3a7c4a-3251-4947-9c1a-3748a780bed8_736x1308.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b1f5a594-63b0-4d8a-9ad4-351e2f991f4b_736x1308.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ce25f759-6ef0-4af2-a10d-d0a43bf4a037_736x1308.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f2fcd4c6-fbec-43c2-9a72-4c0bf0ceaa6a_736x1308.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/880ac5e3-485b-4a80-9219-040d000afeed_735x717.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/bab7cb79-a6bb-47a8-af7d-d8d94b9ca43d_736x1308.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Cenas do filme &#8220;Perfect days\&quot;.&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/59f6a493-37f3-4f89-9f46-573566ba4102_1456x964.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>As minhas faltas, cuido e as escolho eu em an&#225;lise. J&#225; o simp&#225;tico senhor Hirayama &#8212; o qual queria como av&#244;, parece ser algu&#233;m que finalizou uma, ao menos por enquanto, pois toda an&#225;lise &#233; finita e infinita<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-7" href="#footnote-7" target="_self">7</a>, no sentido de que pode-se terminar algumas an&#225;lises e inicar outras enquanto se estiver vivo, pois a vida continua acontecendo e o desamparo, marido da megera indom&#225;vel<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-8" href="#footnote-8" target="_self">8</a> e cega conting&#234;ncia, pode se apresentar de maneira que destrua qualquer manh&#227; ritual&#237;stica.</p><p>Sobre o filme &#8220;Dias perfeitos&#8221; e o final de an&#225;lise, o professor Christian Dunker publicou um v&#237;deo discutindo sobre esse ponto de forma mais aprofundada no quadro &#8220;Desejo em cena&#8221;, em seu canal do Youtube &#8220;Falando nisso&#8221;, s&#233;rie de videos nos quais ele analisa filmes e s&#233;ries.<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-9" href="#footnote-9" target="_self">9</a></p><p>Por fim, gostaria de dizer que com o tempo fazemos as pazes com ele, com a nossa hist&#243;ria, com a vida e com o que resta de n&#243;s de maneira incur&#225;vel: n&#243;s mesmos. Sigamos! </p><div><hr></div><h1>Caso tenha gostado:</h1><ol><li><p>Para ser avisado sobre novos textos dessa newsletter, inscreva-se de forma gratuita clicando no bot&#227;o abaixo e receba no seu e-mail tudo o que for produzindo por aqui.</p></li></ol><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><ol start="2"><li><p>Pensou em algo durante a leitura? Deixe-me saber. 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Voc&#234; pode cancelar a qualquer momento antes do final do per&#237;odo de teste. Para aproveitar clique <a href="https://mubi.com/t/web/global/7tMBezIr">(aqui)</a>.</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p>&#8216;&#8216;Agora &#233; agora&#8217;&#8217; e, em uma tradu&#231;&#227;o literal, &#8216;&#8216;pr&#243;xima vez &#233; pr&#243;xima vez&#8217;&#8217;, podemos livrimente traduzir tamb&#233;m como &#8220;depois &#233; depois&#8217;&#8217;.</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-3" href="#footnote-anchor-3" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">3</a><div class="footnote-content"><p>Escan&#231;&#227;o da palavra repeti&#231;&#227;o, revelando a palavra peti&#231;&#227;o nela inclu&#237;do para trazer a ideia de pedir novamente, repetir um pedido.</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-4" href="#footnote-anchor-4" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">4</a><div class="footnote-content"><p>Um dos registros lacanianos: Real, Simb&#243;lico e Imagin&#225;rio. O Real como aquilo que n&#227;o cessa de n&#227;o se inscrever, o que est&#225; fora da linguagem, assim, o que n&#227;o pode ser dito.</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-5" href="#footnote-anchor-5" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">5</a><div class="footnote-content"><p>Mesma t&#233;cnica com &#8220;elabora&#231;&#227;o&#8221;,  revelando agora &#8220;labor&#8221;, trabalho e &#8220;a&#231;&#227;o&#8221;, como aquilo que &#233; ativo.</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-6" href="#footnote-anchor-6" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">6</a><div class="footnote-content"><p>Fil&#243;sofo e ensa&#237;sta sul-coreano. Refer&#234;ncia &#224;s obras &#8220;O desaparecimento dos rituais: Uma topologia do presente (2021) e &#8220;A crise da narra&#231;&#227;o&#8221; (2023).</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-7" href="#footnote-anchor-7" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">7</a><div class="footnote-content"><p>Refer&#234;ncia ao texto de Freud &#8220;An&#225;lise finita e infinita&#8221; (1937).</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-8" href="#footnote-anchor-8" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">8</a><div class="footnote-content"><p>Refer&#234;ncia &#224; pe&#231;a de Shakespeare &#8220;Mejera indom&#225;vel&#8221; (1595).</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-9" href="#footnote-anchor-9" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">9</a><div class="footnote-content"><p>Clique <a href="https://youtu.be/7FF54tbsXLQ?si=bCImlrYRboRtya-H">(aqui)</a> para assistir o v&#237;deo do professor Christian Dunker </p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[como cheguei ao "sou escritor" e pude entender tantas coisas.]]></title><description><![CDATA[n&#227;o pude escrever e quase vomitei, de repente, aquelas frases eram tudo, menos palavras apenas. (...) entretanto, tudo o que escrevo me remonta aquela ang&#250;stia de v&#237;sceras gritantes.]]></description><link>https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/como-cheguei-ao-sou-escritor-e-pude</link><guid isPermaLink="false">https://tunaotemovesdeti.substack.com/p/como-cheguei-ao-sou-escritor-e-pude</guid><dc:creator><![CDATA[José Anderson]]></dc:creator><pubDate>Sat, 02 Nov 2024 16:16:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/264f26cc-a9b0-465c-b763-9ae4ee9fe4e6_3000x2651.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>eu n&#227;o tenho lembran&#231;as de quando descobri as palavras. &#233; como se houvesse um corte entre um tempo fora e dentro do l&#233;xico. o que me faz achar interessant&#237;ssimo perguntas como &#8220;o que eu senti quando disse a primeira palavra ou quando pude escrev&#234;-la?&#8221; ou melhor, qual a sensa&#231;&#227;o, a fervura do instante que balbuceei tr&#234;s vogais desafinadas e algu&#233;m me confirmou &#8220;isso! &#225;gua! parab&#233;ns!&#8221;? de quando rabisquei linhas desconexas e leram &#8220;bola! isso mesmo!&#8221;? talvez eu nunca saiba, na real, eu nunca saberei, essa esperan&#231;a do talvez aqui &#233; tola. eu n&#227;o preciso saber, est&#225; claro que, nesse momento, est&#225; nos ouvidos e na boca do outro o que &#8220;digo&#8221; e &#8220;escrevo&#8221;, n&#227;o h&#225; nada de mim l&#225;, sen&#227;o o que o outro interpreta do que poderia ser eu. ser&#225; que n&#227;o &#233; assim ainda?</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!blj2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F04241987-c7a5-477b-bc80-c71b063c9c8a_1076x560.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">fonte: <a href="https://www.google.com/url?sa=i&amp;url=https%3A%2F%2Fcore.ac.uk%2Fdownload%2Fpdf%2F229301750.pdf&amp;psig=AOvVaw0x8KfV7fc6WPt4PrUn1E_M&amp;ust=1730501231856000&amp;source=images&amp;cd=vfe&amp;opi=89978449&amp;ved=0CBQQjRxqFwoTCNj93dTZuYkDFQAAAAAdAAAAABAp">clique aqui</a>.</figcaption></figure></div><p>mais tarde consegui falar e escrever, mas o ato da escrita nunca havia-me revirado. era uma mec&#226;nica treinada. foi apenas anos mais tarde que me dizer escritor apareceu-me t&#227;o &#237;ntimo, t&#227;o profundo, e como dizem, &#8220;saiu bem l&#225; de dentro", cujo veio das entranhas - quase que literalmente. a semana parecia voltas de um parafuso remo&#237;do e minha sombra uma baleia encalhada. pela primeira vez, nada dizia o que eu sentia. falei para amigos, cochicei para minha namorada, gritei comigo no espelho, chorei para meu analista e a baleia ainda estava l&#225;. trancado em um quarto, procurei um papel e um l&#225;pis e n&#227;o encontrei, liguei o notebook e &#8220;atualiza&#231;&#245;es pendentes, n&#227;o desligue o aparelho at&#233; a conclus&#227;o.&#8221;, prolongaram-se voltas e voltas se um min&#250;sculo c&#237;rculo azul. me agitei radicalmente, caminhei desejando correr entre as quatro paredes que me cercavam, soava frio, liguei o ventilador mas fui &#224; janela, perdi o ar, senti a acidez de um refluxo na boca, baixei a cabe&#231;a olhando para o lado e vi, havia jogado um l&#225;pis na lixeira - estava mais para um resto de l&#225;pis com a ponta metade quebrada - peguei-o e disparei par revirar os livros da mesa, abri o primeiro que pude alcan&#231;ar e vomitei na primeira p&#225;gina: </p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler tu n&#227;o te moves de ti! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vVKH!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb463856c-12f1-4a20-aae9-2209b70860cb_3000x2104.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Se a vida fosse a m&#227;o que/ d&#225; corda ao rel&#243;gio/ Eu poderia crer ser esquecido/ pelo tempo/ ter na boca outra coisa/ al&#233;m de perdas desconhecidas/ acariciar meu rosto.</figcaption></figure></div><p>quando bati a ponta do l&#225;pis na p&#225;gina pela &#250;ltima vez, de olhos lagrimejados, deixei escapar um ar de entre os dentes. de volta ao espelho, achei-me dram&#225;tico e disse, &#8220;sou escritor!&#8221;. ao longo daquela semana, experimentei um entendimento diferente de Clarisse na sua &#250;ltima entrevista por eu assistida repetidas vezes aquele ano e entendi o porqu&#234; Rilke perguntar em suas cartas se o jovem poeta poderia viver sem escrever, entendi a resposta de Clarisse &#224; essa pergunta que foi proposta pelo entrevistador &#224; ela, &#8220;eu acho quando n&#227;o escrevo eu t&#244; morta&#8221;, ela disse. eu nem perto da morte cheguei, mas n&#227;o pude escrever e quase vomitei, de repente, aquelas frases eram tudo, menos palavras apenas. n&#227;o vomitarei nessa newsletter, pois o tempo aman&#231;a a paix&#227;o. entretanto, tudo o que escrevo me remonta aquela ang&#250;stia de v&#237;ceras gritantes. depois novamente diante do meu analista, disse com naturalidade &#8220;sou escritor.&#8221;, ao passo que me dava conta de que tinha escrito essa coisa no exemplar que tenho de &#8220;O conceito de ang&#250;stia&#8221; de Kierkegaard. coincid&#234;ncia ou n&#227;o, dessa vez n&#227;o chorei, n&#227;o senti &#226;nsia de v&#244;mito, nem quis escrever, apenas sorri e, para a soma de coisas entendidas naquela semana, compreendi o que era ang&#250;stia em psican&#225;lise lacaniana.</p><p></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://tunaotemovesdeti.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler tu n&#227;o te moves de ti! 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